Monday, December 19, 2005

o sono, a custo

Numa dessas manhãs quentes e suadas em q a porta da cozinha ao quintal é inadvertidamente aberta pelo cachorro esfomeado e maltratado daquele sujeito q às vezes passa por minha rua vendendo a preços abusivos as tranqueirinhas q diz comprar no Paraguay quando vai descansar de sua vida conjugal exageradamente histérica e interesseira, cansei.

Numa dessas tardes longas e chuvosas em q o corredor dos quartos à sala é sistemàticamente entulhado pelo filho ensimesmado e medíocre daquela senhora q às vezes entra em meu jardim oferecendo com gritos estridentes os doces q diz comprar na Argentina quando vai relaxar de sua vida profissional exageradamente sonsa e bisbilhoteira, deitei.

Numa dessas noites frias e tempestuosas em q o portão do jardim à rua é frenèticamente chacoalhado pela namorada excêntrica e desajustada daquele cara q às vezes sai de meu banheiro devolvendo com trejeitos esquisitos as revistas q diz comprar na Somália quando vai refletir sobre sua vida artística exageradamente desregrada e matreira, dormi.

Às vezes, penso em acordar.