Friday, March 31, 2006

in memoriam

Ontem de manhã... Acho q era de manhã. Não. Era de madrugada... É, acho q foi ontem de madrugada. Não. Era antes de ontem à tarde... Foi bem na hora em q eu estava ali no... no... Não. Eu estava , não ali. E agora me lembrei. Não foi antes de ontem à tarde. Foi ontem de manhã mesmo. Acho. E eu estava ali mesmo, não lá.

Pois bem, ontem de manhã eu estava ali e exatamente naquela hora e naquele lugar me esqueci do q estava fazendo.

É verdade!

Incrível, né?

Wednesday, March 22, 2006

indigno

Sempre q posso, dou uma chegadinha ali na praça e me sento no banco e reparo nas pessoas passando com toda aquela dignidade. É nauseante ver toda aquela dignidade passando. Quero dizer q fico me sentindo tão humilhado e pequeno q tenho q erguer e entortar a cabeça pra ver toda aquela dignidade passar lá no alto perto das nuvens dum branco imaculado sobre um fundo azul genuinamente celestial.

Por segurança, me amparo no encosto do banco porque senão minha náusea logo me levaria ao chão onde mereço jazer. Às vezes algumas das pessoas q passam com toda aquela dignidade me sapecam um sopapo visual pra ver se aprendo uma lição, mas isso nunca resolve. Entre um digno e outro, fico dissimulando q estou me entretendo com o conteúdo duma de minhas orelhas.

Após uma ou duas dúzias de cidadãos passando com toda aquela dignidade, vou me acinzentando e, quando há uma pausa no fluxo quase contínuo de dignidades, me levanto. Ao voltar à alcova em q vivo, nem tento imitar o estilo épico de caminhar com toda aquela dignidade, já q nunca há na praça, nem poderia haver, outro nulo como eu reparando nas pessoas e nauseando-se e humilhando-se e acinzentando-se ao me ver passar com toda minha irrelevância.