Wednesday, December 26, 2007

humpty dumpty

The question is which
is to rule in whose stead:
the ones who do say
or the ones that are said?

Tuesday, December 18, 2007

brazófia

pô povo brazuca
sai dessa platéia
força bem a cuca
tem alguma idéia

pode ser maluca
sábia ou seborréia
troca de cumbuca
faz uma geléia

fica de butuca
peita tua estréia
sai dessa arapuca
tenta uma odisséia

Friday, December 14, 2007

surge

É de uma inexpressividade desconcertante, a língua portuguesa.

Sunday, December 09, 2007

provérbio africano

...as hienas gargalham e a caravana passa...

Sunday, November 25, 2007

&c

quando fica velho o vagabundo
vasto vai ficando o mundo

Saturday, November 24, 2007

entrefala

> Êi, você aí, que já gosta de falar e ganha a vida falando, fale um pouco aqui pra nós como é que é essa coisa de falar, falar, falar.
• Em primeiro lugar, gostaria de agradecer por esta oportunidade de falar e, o que é ainda melhor, de falar sobre o falar. Falar é uma coisa que eu realmente gosto de fazer – se bem que eu ache mais correto falar que falar é uma coisa de que, ou da qual eu realmente gosto de falar. Mas voltando ao assunto que deixei enquanto falava esse parêntese: realmente, eu gosto de falar. Muita gente não gosta e, o que é ainda pior, não dá a devida importância ao falar nem às pessoas que realmente têm alguma coisa pra falar nem àquilo que é efetivamente falado, porque eu… Eu atribuo isso às políticas que os sucessivos governos têm implantado no Brasil na área da educação, que está num nível realmente lamentável. E talvez justamente por isso, ultimamente tem havido um declínio crescente na arte de falar, de modo que já não se fala hoje em geral com a polidez com que se falava antigamente, quando havia grandes falantes, verdadeiros expoentes dessa arte ancestral, dos quais eu realmente não sou mais que um humilde seguidor.

> Se o falar já teve melhores dias, ¿o que você acha dessa coisa de falar, falar, falar?
• Eu acho extremamente sadio, especialmente prà vida cultural deste país. A cultura se transmite principalmente através da fala, e falar, bem, falar é uma coisa prà qual é preciso ter uma sensibilidade especial, mas que ao mesmo tempo todo o mundo entende. É universal, falemos assim, porque todo o mundo, de algum jeito, fala. Então não faz muito sentido que certos falantes se considerem donos da verdade e saiam por aí falando que isto e que aquilo e que aquilo outro, e eu… O problema central é a educação neste país. O bom falante é aquele que fala pra ser ouvido, e o mercado da fala tem decaído cada vez mais no Brasil, justamente porque aparecem (como em toda geração aparece) aparecem falantes que não dominam a fala, ou que inserem estilos de fala sem substância e vão distanciando o povo.

> ¿O que é que leva você, em sua opinião, a essa coisa de falar, falar, falar?
• Veja bem, falar pode ser uma profissão extremamente técnica e pensada, como também pode ser uma atividade totalmente espontânea. Depende do que é que você quer falar, num contexto, claro, historicamente determinado. O falante tem que saber jogar com esses elementos e essas influências. Eu, por exemplo, falo bastante, então eu posso me dar ao luxo de usar várias técnicas diferentes, de experimentar com os mais variados estilos, e até me reservo o direito de calar a boca quando acho que essa vai ser a melhor maneira de falar o que eu quero, que constitui até, falemos assim, uma desconstrução do falar, que também é uma opção.

> E você, quando fala, ¿como sente que é essa coisa de falar, falar, falar?
• Falar é muito bom, de forma geral. Mas eu acho que, quando falo, eu incomodo muita gente. Não é essa minha intenção, claro, mas acontece, quando a gente tem muita coisa pra falar. É inevitável. O falar tem também uma dimensão espiritual muito importante, que é preciso levar em conta, então é preciso tomar muito cuidado com o que se fala, pra não ofender. Mas há ouvintes e ouvintes, não é verdade? É por isso que a função social do falar, que é muito importante, precisa de investimento em educação, de estímulo, de liberdade. Porque sem isso não dá, né?

> E ¿o que você tem a dizer sobre essa coisa de falar, falar, falar?
• Dizer?

> Perdão. Falar.
• Ah. Sim. Hm. É muito importante, claro. Note, por exemplo, que a imprensa, o rádio, a tevê, e agora a internet trouxeram uma infinidade de maneiras diferentes de falar. E as pessoas estão aí, procurando novos modos de falar, novos modelos de falância. Claro que na internet tem muita gente que fala, fala, fala e nada que preste, porque eu… Mas sempre foi assim, não é verdade? O falar sempre foi o que é, na verdade. Sempre a quantidade é maior do que a qualidade. Mas sempre tem gente que se destaca. Por exemplo, no passado, a Caitlyn Guaruda, o Romeu Boqueirão, a Rita Garella, o Almeida Laringe. Meu trabalho segue nessa linha. Apesar de, claro, eu também preferir a subversão da tradição. O novo sempre surpreende, não é verdade? E é assim que eu vou falando.

> Bem, obrigado pela conversa. Falou e disse!
• Quê?! ¿Está querendo me ofender, rapaz? Não sou da Escola do Dizer, não! Aquela gentalha.

Sunday, November 18, 2007

Chapeuzino Verde-Amarelo

Pela estrada afora
eu vou bem sozinha.
Tou levando uns doces
para a vovozinha.

Doces estragados
e pão decomposto
pois a vovozinha
já não sente gosto.

Sou Chapeuzinho
fofa e singela.
Sempre fui xodó
da velha magricela.


Atravesso o rio
pisando no leito
e as piranhas comem
o meu pé direito.

Sigo meu caminho
a encontrar a vovó.
Ando saltitando
em cima de um pé só.

Sou Chapeuzinho
Verde-Amarelo.
Não preciso mais
do par desse chinelo.


Quando chego ao topo
do morro pelado,
vejo a choça dela
lá do outro lado.

E ao descer o morro,
uma bala perdida
leva minha mão
embora desta vida.

Sou Chapeuzinho
fofa e singela.
Já tou vendo a mão
virando mortadela.


Carregando o cesto
na mão que me resta,
um carrão me pega
e me arrebenta a testa.

Zonza, ensangüentada,
sem mão e sem pé,
chego lá esperando
ao menos cafuné.

Sou Chapeuzinho
fofa e singela.
Pelo menos hoje
não fiquei banguela.


Mas a vovozinha,
cansada da espera,
xinga, bate, berra,
espanca e vocifera.

Êta velha chata!
Cadê o lobo mau?
Fica aí, sua inútil,
morre logo e tchau.

Sou Chapeuzinho
Verde-Amarelo.
Sorte da velhota
eu não ter um martelo.

Saturday, September 15, 2007

ai ai que preguisse

1900
ai ai que preguisse
dá tant travailheau
fazê perspective
enchê le tableau

1905
nan sei desenher
¿comme veau ser fameause?
veau tê qu'inventer
algun petit chose

1910
pois todo pinteur
que faz algun arte
tamban é inventeur
d'algun disparrate

1915
¿e se je pinter
de cabes pra bache?
oh nan, van me acher
alun de Picasse

1920
e essa é a doeur
que bate mais fonde
parque imitadoeur
já fui de tout monde

1925
talvez haja un jeito
¿a tela en lozang?
oh nan, já foi feito
maudite Mondriaang

1930
entan veau assumir
ma grande preguisse
dizando en Parri
"mon nom est Matisse!"

***

Tudo bem gostar de um ou de outro quadro, achar bonito, interessante, até valioso, ¿por que não? Mas colocar Matisse entre os grandes gênios da pintura é um furo na tela. Matisse só é o favorito de pessoas q olham mas não enxergam, ou olham a fachada dum prédio mas não enxergam a estrutura prestes a desmoronar, ou olham pra apenas um type e enxergam apenas o hype q o divulgou. Matisse brincou de Renoir, de van Gogh, de Seurat, de Cèzanne, de Modigliani, de Braque, de Gauguin, e outros, mas só chegou a si mesmo quando assumiu sua preguiça, sua inabilidade no desenho e sua incompreensão da perspectiva. A notoriedade q adquiriu em começo de carreira foi graças a uma idéia pra parecer diferente, na época em q a frivolidade estava começando a considerar a individualidade como uma forma de talento. A "idéia" foi pintar as coisas com as cores erradas pelo impacto gratuito, e falar inanidades sobre os efeitos psicológicos das cores. Chegou-se até a dizer q Matisse não usava as cores erradas: o mundo real é q foi mal colorido.

Pardon, mas é difícil levar Matisse a sério. Taí, falei.

Tuesday, August 21, 2007

presente do indicativo

-Então tá. Você vai lá e traz aquilo tudo, e eu pos...
Os pés descalços. O telefone creme. O caderninho.
-Não, não. Depois a gen...
O teto. A porta.
-Olha, se você não quiser, eu pos...
Insuportável. Não consegue completar sequer uma frase. O Júnior sempre acha que sabe o que a gente vai dizer.
-Mas não, não precisa fazer isso, cara. O homem lá do s...
Os pés descalços. O terceiro dedo de lá pra cá. Coisa inútil, dedo do pé. Artelho.
-Bom, então tá. No fim vai dar na mes...
Chacoalha os artelhos. Abre. ¿Não abre mais do que isso? Inútil.
-Peraí. Deixa eu falar um p...
A porta. O teto.

Páginas e páginas disso.
Cenas e cenas e cenas assim.
Horas e horas e horas e horas.

Tuesday, July 10, 2007

prego

Cansei de ser preguiçoso.
Mas tenho preguiça de mudar.
Acho q vou descansar um pouco e depois eu volto.

Friday, April 27, 2007

soneto da norma

Ó língua amada, flor de Portugal,
te tomo agora em minha mão inculta
e com aprovação oficial
desfiro meu sarrafo em quem te insulta.

Outrora te ataquei covardemente,
inguinorantemente te ofendi;
mas hoje sou amante reverente,
defendo-te cá, lá, aqui e ali.

Ó linda flor que tudo me ensinaste
−embora tanto quiproquó provoques−
jamais again te tratarei de traste;

e neste novo mundo em que ora ingresso
faminto por saber de teus estoques,
exclamo a senha: Ordem e Progresso!

Wednesday, April 25, 2007

limeriques

There once was a place called Brazil
where people perfected the skill
of tergiversation
with such concentration
that net comprehension was nil.

They showed such a wonderful knack
for ranting and answering back
that no one remarked
when they simply barked
or just hopped about going "Quack!"

Thursday, March 29, 2007

resumo da cultura pop

Análise é coisa de gente chata. Síntese é coisa de gente legal.

Monday, March 26, 2007

...!

então concluí q há uma relação intrínseca entre preguiça e inteligência. Mas ¿será q a preguiça é uma espécie de inteligência, ou será q a inteligência é uma espécie de preguiça? Aí disse em voz alta "a inteligência é uma espécie de preguiça," e depois "a preguiça é uma espécie de inteligência," e repeti as duas frases algumas vezes pra ver qual era a mais verdadeira.

então concluí q a inteligência é uma espécie de preguiça. Porque dizer "a preguiça é uma espécie de inteligência" dá mais trabalho.

Friday, February 16, 2007

delícias do telemarketing

-Bom dia. Eu gostaria de falar com o sr Parso Torpa Moscaranha.
-Sou eu.
-Meu nome é Nópsia Spulga. Sou consultora do banco Santander Banespa. ¿Tudo bem com o sr?
-Tá.
-Q bom, seu Parso. Por motivo de seguran sa ligação é gravada. Estou entrando em contato pra informá-lo, né, q devido a esse bom relacionamento q o sr já vem mantendo com o comércio em geral, já está a sua disposição, sr Parso, o novo cartão Santander Light. ¿O sr conhece?
-Não.
-¿Já assistiu nosso comercial com a Cláudia Raia alguma vez? Na televisão?
-Não.
-Sem problema, sr Parso. Ele tem um grande diferencial entre os outros cartões, puquiele é o único no Brasil q cortou os juros pela metade, ou seja, cinco ponto cinco. ¿O sr já vem acompanhando a média do mercado de tarifação de juro?
-Não.
-¿Já trabalha com cartão de crédito, sr Parso?
-Não.
-¿Nunca trabalhou?
-Não.
-[pausinha exasperada] Sr Parso, ¿o sr sempre teve essa opinião [engasgadinha] própria com... quanto ao cartão de crédito?
-Sim.
-¿Por qual motivo?
-[pausa, respira fundo, soluça, voz embargada] Bom, é q, quando eu era criança... eu... eu tava andando numa rua e... aí... tinha um caminhão... [soluço] um caminhão...
-Alô?
-Um caminhão quase me atropelou, e ele tava cheio de cartão de crédito... aí eu peguei... eu peguei... [drama] peguei trauma com cartão de crédito... [choro contido]
-[dúvida] ¿Com quem eu falo?
-[triste] Parso.
-Sr Parso?
-Parso. [chora] Sou eu.
-Então, sr Pra-Parso, no caso, né, ¿é Parso To-orpa Moscaranha?
-[chorando] Sou eu.
-Eu agradeço muito pela atenção e numa próxima oportunidade o Santander Banespa entra em contato com o sr.
-[aos prantos] Não, por favor não liga mais não. Não liga, por favor. [chora, soluça, desliga]

Friday, February 09, 2007

the francis fancies

'Tis oft declared by junior bigots born in Latin lands
that most of what gets printed there should come from abler hands.
They mean, of course, that only they know how to hold a pen
and boldly pass pronouncements on the great affairs of men.

A sharp divide has torn the world along a mighty cleft.
Now they are right and others wrong, or right and others left;
and nothing gets more blogtime than a brawl between the two
'sif life itself were goaded forth each time they say "pooh-pooh".

They'll quarrel 'bout a tiny tick above the letter U;
they'll swear by grammars bent on wat'ring down the social stew;
the way some words are said or spelt can blight a reputation
and bring on shame and doubt upon the prospects of their nation.

But lo, they shun what's native 'cause they loathe that they are Latin.
They wish they had a cosy job reporting from Manhattan,
where they could fin'lly live the life deservéd by their fancies
retreading hallowed steps that once were trod by Paulo Francis.

Yes, they're a tad naïve to have and worship human heroes
while in their eyes the rest of us would hardly pass for zeros
who blunder on like monkeys deep in filth and foul decay.
So there's the shell and here's the nut of what I have to say:

'Tis sad, says I, that mankind's wondrous range be flattened thus
when that which truly makes us level no one might discuss:
(the practised knowledge I, for one, would wish all bigots had)
that every man's a bastard from a diff'rent mom and dad.

[o contexto desse poema está aqui]

Monday, February 05, 2007

milhões de anos no futuro agora

Milhões de anos no futuro agora,
quando o último humano do universo
morrer de morte feia e só,
não há de ser chorado, sequer lembrado.

Quando as vastas turbulências de matéria
finalmente deglutirem o planeta que pisamos
reduzindo o que já foi de nossa reles raça
a um pó seco e frio,

não há de haver em todo o universo
uma única mente que veja e diga
"sei o que passaram esses seres extintos,
reconheço suas obras, reconheço suas dores."

E tudo quanto agora nos desperta ou apavora,
as risadas e atritos, as promessas e crendices,
terão sido não mais que um curto e vão

lampejo de egoísmo, presunção e pânico
na cabeça tonta dum bicho sujo
e triste que morre ali e já vai tarde.

Thursday, January 25, 2007

que

Qualquer um que já tenha ouvido falar desse pessoal que concorda com aqueles que ficam dizendo que as orações subordinadas que viscejam nas frases que são escritas e faladas nesta língua que ora uso para expressar aquilo que acho que devo escrever não deveriam ser longas deve concordar comigo em que nada do que se diz sobre isso que acabo de mencionar e que espero que você já tenha lido e que tenha entendido tem qualquer relevância que pudesse ser expressa no estilo usado por aqueles que lêem o que escrevo e criticam o estilo que uso sem saber que ele serve a um propósito que não poderia ser expresso de qualquer outra maneira que não fosse utilizando exatamente o mesmo tipo de oração subordinada que estou usando agora neste texto que você está lendo e que vai acabar agora.
 
¿Precisou de alguma vírgula? Então, não me encha o saco.

Wednesday, January 24, 2007

umbigada

A polêmica sempre acompanhou meu umbigo.
A sinceridade é a maior qualidade de meu umbigo... mas também é seu maior defeito.
Meu umbigo está sempre aberto a críticas construtivas.
Quando meu umbigo está errado, ele é o primeiro a admitir.
A honestidade de meu umbigo incomoda muita gente.
O maior problema de meu umbigo é q ele se entrega demais.
Meu umbigo não merecia ter nascido no Brasil.

Meu umbigo sofre muito com a vaidade dos outros.

Saturday, January 13, 2007

a verdade, preto no branco

É preciso trazer à tona um fato q há mais de um século permanece disfarçado por trás de um véu de hipocrisia e ignorância, um fato q todos parecem preferir ignorar, mas q teve profundas conseqüências q ainda hoje influenciam o dia-a-dia de toda a população mundial, inserindo uma fonte de cinismo, desinformação e deseducação nas vidas pública e privada.
 
Vemos filmes, fotos e ilustrações dos tempos pré-históricos até os dias de hoje – lindas paisagens e importantes acontecimentos documentados com precisão e maestria, tais como o fim dos dinossauros, a vida de importantes figuras, o descobrimento da América – mas parece incrível q ninguém atente ao fato de q, entre ~1880 e ~1960, o mundo passou em preto-em-branco. As cores simplesmente desapareceram de todas as coisas e ninguém, absolutamente ninguém, comentou, analisou ou mesmo denunciou o cataclisma. Inevitavelmente, várias perguntas nunca formuladas permanecem irrespondidas:
 
- ¿O q causou esse fenômeno?
- ¿Por que somente durante esses ~80 anos?
- ¿A quem interessa disfarçar esse fato inegável?
- ¿A quem interessa encobri-lo?
- ¿Pode o fenômeno ocorrer novamente? ¿É algo cíclico?
- ¿O q você estaria fazendo se não estivesse lendo esta baboseira?
 
Essas e outras são inquietações q se apoderam de qualquer pessoa q intue e procura desvendar a verdade por trás das aparências.  Torna-se urgentemente necessário conhecer os fatos e apurar as responsabilidades.
 
Chega de hipocrisia! Chega de mentiras!