Friday, February 16, 2007

delícias do telemarketing

-Bom dia. Eu gostaria de falar com o sr Parso Torpa Moscaranha.
-Sou eu.
-Meu nome é Nópsia Spulga. Sou consultora do banco Santander Banespa. ¿Tudo bem com o sr?
-Tá.
-Q bom, seu Parso. Por motivo de seguran sa ligação é gravada. Estou entrando em contato pra informá-lo, né, q devido a esse bom relacionamento q o sr já vem mantendo com o comércio em geral, já está a sua disposição, sr Parso, o novo cartão Santander Light. ¿O sr conhece?
-Não.
-¿Já assistiu nosso comercial com a Cláudia Raia alguma vez? Na televisão?
-Não.
-Sem problema, sr Parso. Ele tem um grande diferencial entre os outros cartões, puquiele é o único no Brasil q cortou os juros pela metade, ou seja, cinco ponto cinco. ¿O sr já vem acompanhando a média do mercado de tarifação de juro?
-Não.
-¿Já trabalha com cartão de crédito, sr Parso?
-Não.
-¿Nunca trabalhou?
-Não.
-[pausinha exasperada] Sr Parso, ¿o sr sempre teve essa opinião [engasgadinha] própria com... quanto ao cartão de crédito?
-Sim.
-¿Por qual motivo?
-[pausa, respira fundo, soluça, voz embargada] Bom, é q, quando eu era criança... eu... eu tava andando numa rua e... aí... tinha um caminhão... [soluço] um caminhão...
-Alô?
-Um caminhão quase me atropelou, e ele tava cheio de cartão de crédito... aí eu peguei... eu peguei... [drama] peguei trauma com cartão de crédito... [choro contido]
-[dúvida] ¿Com quem eu falo?
-[triste] Parso.
-Sr Parso?
-Parso. [chora] Sou eu.
-Então, sr Pra-Parso, no caso, né, ¿é Parso To-orpa Moscaranha?
-[chorando] Sou eu.
-Eu agradeço muito pela atenção e numa próxima oportunidade o Santander Banespa entra em contato com o sr.
-[aos prantos] Não, por favor não liga mais não. Não liga, por favor. [chora, soluça, desliga]

Friday, February 09, 2007

the francis fancies

'Tis oft declared by junior bigots born in Latin lands
that most of what gets printed there should come from abler hands.
They mean, of course, that only they know how to hold a pen
and boldly pass pronouncements on the great affairs of men.

A sharp divide has torn the world along a mighty cleft.
Now they are right and others wrong, or right and others left;
and nothing gets more blogtime than a brawl between the two
'sif life itself were goaded forth each time they say "pooh-pooh".

They'll quarrel 'bout a tiny tick above the letter U;
they'll swear by grammars bent on wat'ring down the social stew;
the way some words are said or spelt can blight a reputation
and bring on shame and doubt upon the prospects of their nation.

But lo, they shun what's native 'cause they loathe that they are Latin.
They wish they had a cosy job reporting from Manhattan,
where they could fin'lly live the life deservéd by their fancies
retreading hallowed steps that once were trod by Paulo Francis.

Yes, they're a tad naïve to have and worship human heroes
while in their eyes the rest of us would hardly pass for zeros
who blunder on like monkeys deep in filth and foul decay.
So there's the shell and here's the nut of what I have to say:

'Tis sad, says I, that mankind's wondrous range be flattened thus
when that which truly makes us level no one might discuss:
(the practised knowledge I, for one, would wish all bigots had)
that every man's a bastard from a diff'rent mom and dad.

[o contexto desse poema está aqui]

Monday, February 05, 2007

milhões de anos no futuro agora

Milhões de anos no futuro agora,
quando o último humano do universo
morrer de morte feia e só,
não há de ser chorado, sequer lembrado.

Quando as vastas turbulências de matéria
finalmente deglutirem o planeta que pisamos
reduzindo o que já foi de nossa reles raça
a um pó seco e frio,

não há de haver em todo o universo
uma única mente que veja e diga
"sei o que passaram esses seres extintos,
reconheço suas obras, reconheço suas dores."

E tudo quanto agora nos desperta ou apavora,
as risadas e atritos, as promessas e crendices,
terão sido não mais que um curto e vão

lampejo de egoísmo, presunção e pânico
na cabeça tonta dum bicho sujo
e triste que morre ali e já vai tarde.