Tuesday, July 29, 2014

burricismo, ignorantismo, feiurismo

«Mascaranhas ergueu o sobrolho, baixou a vista, cheirou o bigode, torceu a boca e chegou o queixo ao microfone.
–Olha, ouvinte, não precisa se ofender com o q eu disse, não, hem. Se ofender faz mal prä saúde, pô. Se cuida. Mas ¿como vc pode evitar de se ofender? É simples. Muito provàvelmente –não posso dizer com certeza, claro, mas muito provàvelmente– vc se ofendeu pois vossa inteligência e informação neste assunto tão ali na média, ou abaixo dela. Vc pode ter se ofendido só pq vc provàvelmente, neste assunto, é burro e mal-informado. Vc só precisa entender isso e aceitar como um fato da vida. Né? Mas olha, não tem problema vc ser burro ou mal-informado nisso. Todos nós somos burros ou mal-informados nalgum assunto. Ou melhor, só vejo um único probleminha, q é o de se ofender fàcilmente, pois gente burra e mal-informada não vai ter argumentos, não vai saber expressar sentimentos, não vai conseguir concatenar impressões num discurso coerente. Aí vc descamba pra se ofender. Lógico. Isso é reação do animalzinho q há em vc. Mas gente inteligente e bem informada num assunto não se ofende qdo se fala dele. Já viu? Então. A decisão inteligente é vc aceitar q é burro ou mal-informado neste assunto. Seria um primeiro passo pra vc não precisar ficar aí se ofendendo em vez de fazer algo útil.»
tirado de “LIVRO FICTÍCIO”, de Autor Conhecido

Em outra parte do “LIVRO FICTÍCIO”, Mascaranhas, acusado de preconceito por um ouvinte, responde:
«–Olha, ouvinte, não tenho nenhum preconceito contra gente de vossa laia, hein. ¿Tá me estranhando? Defendo abertamente q todos têm direito ä compreensão, até mesmo os burros; q todos têm direito ä informação, até mesmo os ignorantes; assim como defendo q todos têm direito ä feiúra, até mesmo os belos.»

Wednesday, July 09, 2014

sete à

Um jogo estranho
em nossa campanha,
sem glórias de antanho
e nenhuma façanha.

O comedor de ranho
usou de artimanha
melhor q o tacanho
juiz da Espanha.

Levamos um banho
e venceu-nos a sanha
do exato tamanho
da própria Alemanha.

E agora o rebanho
descendo a montanha
diz, rouco e fanho,
“Quê é q se ganha?
Quê é q se ganha?”

(Sim, fui eu q compus. E olha q nem sou brasileiro, nem sigo futebol, nem vi os jogos, e preferiria q 200 milhões de pessoas não fossem tão iguaizinhas.)