Numa dessas manhãs quentes e suadas em q a porta da cozinha ao quintal é inadvertidamente aberta pelo cachorro esfomeado e maltratado daquele sujeito q às vezes passa por minha rua vendendo a preços abusivos as tranqueirinhas q diz comprar no Paraguay quando vai descansar de sua vida conjugal exageradamente histérica e interesseira, cansei.
Numa dessas tardes longas e chuvosas em q o corredor dos quartos à sala é sistemàticamente entulhado pelo filho ensimesmado e medíocre daquela senhora q às vezes entra em meu jardim oferecendo com gritos estridentes os doces q diz comprar na Argentina quando vai relaxar de sua vida profissional exageradamente sonsa e bisbilhoteira, deitei.
Numa dessas noites frias e tempestuosas em q o portão do jardim à rua é frenèticamente chacoalhado pela namorada excêntrica e desajustada daquele cara q às vezes sai de meu banheiro devolvendo com trejeitos esquisitos as revistas q diz comprar na Somália quando vai refletir sobre sua vida artística exageradamente desregrada e matreira, dormi.
Às vezes, penso em acordar.
segunda-feira, dezembro 19, 2005
terça-feira, novembro 15, 2005
nuvem padrão
lá vem a nuvem padrão
descendo pelos trilhos do céu
ela vem toda certinha
imutável, bonitinha
redondinha dum jeitinho padrão
descendo pelos trilhos do céu
ela vem toda certinha
imutável, bonitinha
redondinha dum jeitinho padrão
domingo, outubro 09, 2005
"deixo a vida para entrar na história"
O Dia do Desforró
Quando olhei o Serra ardendo
Qual Figueiredo João,
Eu perguntei, "Dirceu, meu réu,
¿Será que eu ganho essa eleição?"
Que brasileiro, que canalha
Bota fé no mensalão?
Por causa dele, perdi meu gado:
Dedou na sede Seu Jeffersão.
Até mesmo a Casa Branca
Se espantou co'a corrupção.
Então eu disse, adeus Marisa,
Guardo no umbigo meu coração.
Quando olhei o Serra ardendo
Qual Figueiredo João,
Eu perguntei, "Dirceu, meu réu,
¿Será que eu ganho essa eleição?"
Que brasileiro, que canalha
Bota fé no mensalão?
Por causa dele, perdi meu gado:
Dedou na sede Seu Jeffersão.
Até mesmo a Casa Branca
Se espantou co'a corrupção.
Então eu disse, adeus Marisa,
Guardo no umbigo meu coração.
quinta-feira, outubro 06, 2005
quinta-feira, setembro 29, 2005
sou mau
Sou um homem muito mau.
Minha maldade não tem limites. Peco em pensamento, palavras e atos; principalmente em pensamento. As péssimas maldades q já pensei, planejei e arquitetei dariam um fim nojento a várias humanidades. Em palavras, já criei tantos mal-estares, insultos e inimizades q às vezes me surpreendo por não estar mofando num presídio. Em atos, sou mais circunspecto, pois sou mau mas não sou idiota de expor minha vileza à vingança do vulgacho.
Certa feita, sentado ao corredor num ônibus semi-lotado e lendo o Dialogus de Rabštejna, senti q alguém me empurrava levemente de lado, ergui os olhos e vi q uma mulher grávida de 4 meses e sua filhinha de 7 anos me davam aquele olhar de 'quero sentar' q aprenderam num Curso de Etiqueta Passiva qualquer. Ora, eu estava lendo, saco. Além de me distrair do livro, ainda queriam meu assento! Meu olhar de volta disse, claramente, "¿Não sabem q Livro é Cultura? ¿Acham q Cultura deve ceder lugar ao conforto? Barbárie!"
Sempre q vejo um pedinte de rua, sei q tenho basicamente três opções: (1) dou uma pequena esmola; (2) levo o cara para o recanto de meu lar, dou-lhe um banho e roupas limpas, e o ajudo pouco a pouco a fazer sua vida dando-lhe educação e oportunidades; e (3) pego um machado bem afiado, retalho seu corpo em mil carnes moídas e jogo tudo num rio poluído qualquer. Em minha maldade de sangue podre, obviamente opto por aquilo q lhe fará mais mal: dou a esmola; e não por caridade, mas porque sei q a esmola não vai resolver nenhum de seus problemas, vai ajudar a aumentar sua dependência da caridade alheia, e vai pouco a pouco tranformar seu cérebro numa meleca inútil. Essa opção também ajuda a garantir q o pedinte vai encher o saco de muitas outras pessoas.
Às vezes, me sinto tão mau, mas tão mau, q até poderia vandalizar livros de biblioteca, buzinar em frente a hospitais e reclamar da comida com o garçom.
Minha maldade não tem limites. Peco em pensamento, palavras e atos; principalmente em pensamento. As péssimas maldades q já pensei, planejei e arquitetei dariam um fim nojento a várias humanidades. Em palavras, já criei tantos mal-estares, insultos e inimizades q às vezes me surpreendo por não estar mofando num presídio. Em atos, sou mais circunspecto, pois sou mau mas não sou idiota de expor minha vileza à vingança do vulgacho.
Certa feita, sentado ao corredor num ônibus semi-lotado e lendo o Dialogus de Rabštejna, senti q alguém me empurrava levemente de lado, ergui os olhos e vi q uma mulher grávida de 4 meses e sua filhinha de 7 anos me davam aquele olhar de 'quero sentar' q aprenderam num Curso de Etiqueta Passiva qualquer. Ora, eu estava lendo, saco. Além de me distrair do livro, ainda queriam meu assento! Meu olhar de volta disse, claramente, "¿Não sabem q Livro é Cultura? ¿Acham q Cultura deve ceder lugar ao conforto? Barbárie!"
Sempre q vejo um pedinte de rua, sei q tenho basicamente três opções: (1) dou uma pequena esmola; (2) levo o cara para o recanto de meu lar, dou-lhe um banho e roupas limpas, e o ajudo pouco a pouco a fazer sua vida dando-lhe educação e oportunidades; e (3) pego um machado bem afiado, retalho seu corpo em mil carnes moídas e jogo tudo num rio poluído qualquer. Em minha maldade de sangue podre, obviamente opto por aquilo q lhe fará mais mal: dou a esmola; e não por caridade, mas porque sei q a esmola não vai resolver nenhum de seus problemas, vai ajudar a aumentar sua dependência da caridade alheia, e vai pouco a pouco tranformar seu cérebro numa meleca inútil. Essa opção também ajuda a garantir q o pedinte vai encher o saco de muitas outras pessoas.
Às vezes, me sinto tão mau, mas tão mau, q até poderia vandalizar livros de biblioteca, buzinar em frente a hospitais e reclamar da comida com o garçom.
domingo, setembro 25, 2005
vírgula
A vírgula, desconfio, é, por si, inútil, equívoca, e, talvez, ambígua, embora, possivelmente, ninguém, q eu, realmente, conheça, tenha, convincentemente, criticado, ou, até, condenado, em palavras, seu uso, digamos, indiscriminado. Dizem, impensadamente, decerto, q, quase sempre, a vírgula, em si, representa, pasmem, uma pausa, mas, insisto, vocês, certamente, concordarão, imagino, q, ao contrário, muitas, senão, quiçá, todas elas, invariavelmente, atrapalham, mais, por certo, do q, de fato, auxiliam, como deveriam, a leitura. Quem, como eu, utiliza, com moderação, a vírgula, consegue, sem esforço, fazer-se, assim, entender.
terça-feira, setembro 20, 2005
as eras e o sou
Acho q pouca gente pode, como eu, se vangloriar de ter uma linhagem q remonte a Mñgbl, q viveu de 153.927 aC a 153.898 aC ali perto do lugar onde milênios mais tarde seu descendente Gundgo o Fétido contaria a primeira piada da história da humanidade – q, logicamente, ninguém entendeu de primeira pois, mesmo naquela era, pouca gente podia, como eu, se vangloriar de ter uma linhagem q remontasse a Mñgbl, o grande estripador das tribos de nñomus, aquela gentalha.
Até mesmo hoje em dia, o senso de humor de um legítimo 6x10³neto do grande Mñgbl, como eu, passa despercebido pela resto da (haha) humanidade. Às vezes é chato – posso dizê-lo, com grande humildade – pois dizer coisas engraçadíssimas sem q ninguém à volta se dê conta é o pior pesadelo da inteligência. Há circunstantes q chegam a se ofender com um mero aparte em pleonasmo anacrato-metonímico q deixo escapar espontaneamente entre uma alusão a Espinosa e uma citação do rebus epistolarium putridus. Não fosse minha adorada esposa e saco-de-risadas, com quem com certeza vivo in6x10³cestuosamente, eu me sentiria abjetamente só e desapoiado neste mundo de tacanhos pseudo-esnobes de todas as raças e cores.
Racismo? ¿O q é essa picuinha insossa perto do q sinto eu?
Até mesmo hoje em dia, o senso de humor de um legítimo 6x10³neto do grande Mñgbl, como eu, passa despercebido pela resto da (haha) humanidade. Às vezes é chato – posso dizê-lo, com grande humildade – pois dizer coisas engraçadíssimas sem q ninguém à volta se dê conta é o pior pesadelo da inteligência. Há circunstantes q chegam a se ofender com um mero aparte em pleonasmo anacrato-metonímico q deixo escapar espontaneamente entre uma alusão a Espinosa e uma citação do rebus epistolarium putridus. Não fosse minha adorada esposa e saco-de-risadas, com quem com certeza vivo in6x10³cestuosamente, eu me sentiria abjetamente só e desapoiado neste mundo de tacanhos pseudo-esnobes de todas as raças e cores.
Racismo? ¿O q é essa picuinha insossa perto do q sinto eu?
segunda-feira, setembro 19, 2005
grande parte da história
Muito me agradou saber ontem q meu bisavô materno conheceu minha bisavó materna como conseqüência da feliz confluência de uma conferência sobre a consciência em Viena e de uma encomenda de uma merenda a uma fazenda-moenda em Salzburgo. E ¿não é q é verdade? Lá estava meu bisavô conferenciando e minha bisavó cozinhando quando, sem mais nem menos, a merenda se extraviou e foi parar na estalagem onde se hospedava ele. Comeu-a de se empapuçar, adorou, perguntou quem cozinhou, com ela casou, e comeu-a.
Resultado, após um século: eu.
Resultado, após um século: eu.
domingo, setembro 18, 2005
o cuco
Não consigo lembrar ninguém q seja eu. Dias atrás, olhei no espelhinho atrás do pêndulo do relógio de cuco da sala de jantar do apartamento da irmã de criação da mulher de meu irmão, e vi dois olhos me olhando. Q vergonha. Tem gente q não se enxerga.