quinta-feira, setembro 29, 2005

sou mau

Sou um homem muito mau.

Minha maldade não tem limites. Peco em pensamento, palavras e atos; principalmente em pensamento. As péssimas maldades q já pensei, planejei e arquitetei dariam um fim nojento a várias humanidades. Em palavras, já criei tantos mal-estares, insultos e inimizades q às vezes me surpreendo por não estar mofando num presídio. Em atos, sou mais circunspecto, pois sou mau mas não sou idiota de expor minha vileza à vingança do vulgacho.

Certa feita, sentado ao corredor num ônibus semi-lotado e lendo o Dialogus de Rabštejna, senti q alguém me empurrava levemente de lado, ergui os olhos e vi q uma mulher grávida de 4 meses e sua filhinha de 7 anos me davam aquele olhar de 'quero sentar' q aprenderam num Curso de Etiqueta Passiva qualquer. Ora, eu estava lendo, saco. Além de me distrair do livro, ainda queriam meu assento! Meu olhar de volta disse, claramente, "¿Não sabem q Livro é Cultura? ¿Acham q Cultura deve ceder lugar ao conforto? Barbárie!"

Sempre q vejo um pedinte de rua, sei q tenho basicamente três opções: (1) dou uma pequena esmola; (2) levo o cara para o recanto de meu lar, dou-lhe um banho e roupas limpas, e o ajudo pouco a pouco a fazer sua vida dando-lhe educação e oportunidades; e (3) pego um machado bem afiado, retalho seu corpo em mil carnes moídas e jogo tudo num rio poluído qualquer. Em minha maldade de sangue podre, obviamente opto por aquilo q lhe fará mais mal: dou a esmola; e não por caridade, mas porque sei q a esmola não vai resolver nenhum de seus problemas, vai ajudar a aumentar sua dependência da caridade alheia, e vai pouco a pouco tranformar seu cérebro numa meleca inútil. Essa opção também ajuda a garantir q o pedinte vai encher o saco de muitas outras pessoas.

Às vezes, me sinto tão mau, mas tão mau, q até poderia vandalizar livros de biblioteca, buzinar em frente a hospitais e reclamar da comida com o garçom.