Milhões de anos no futuro agora,
quando o último humano do universo
morrer de morte feia e só,
não há de ser chorado, sequer lembrado.
Quando as vastas turbulências de matéria
finalmente deglutirem o planeta que pisamos
reduzindo o que já foi de nossa reles raça
a um pó seco e frio,
não há de haver em todo o universo
uma única mente que veja e diga
"sei o que passaram esses seres extintos,
reconheço suas obras, reconheço suas dores."
E tudo quanto agora nos desperta ou apavora,
as risadas e atritos, as promessas e crendices,
terão sido não mais que um curto e vão
lampejo de egoísmo, presunção e pânico
na cabeça tonta dum bicho sujo
e triste que morre ali e já vai tarde.
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
milhões de anos no futuro agora
2007-02-05T14:10:00-02:00
Permafrost