domingo, novembro 18, 2007

Chapèuzinho Verde-Amarelo

Pela estrada afora
eu vou bem sòzinha.
Tou levando uns doces
para a vovòzinha.

Doces estragados
e pão decomposto
pois a vovòzinha
já não sente gosto.

Sou Chapèuzinho
fofa e singela.
Sempre fui xodó
da velha magricela.


Atravesso o rio
pisando no leito
e as piranhas comem
o meu pé direito.

Sigo meu caminho
a encontrar a vovó.
Ando saltitando
em cima de um pé só.

Sou Chapèuzinho
Verde-Amarelo.
Não preciso mais
do par desse chinelo.


Quando chego ao topo
do morro pelado,
vejo a choça dela
lá no outro lado.

E ao descer o morro,
uma bala perdida
leva minha mão
embora desta vida.

Sou Chapèuzinho
fofa e singela.
Já tou vendo a mão
virando mortadela.


Carregando o cesto
na mão que me resta,
um carrão me pega
e me arrebenta a testa.

Zonza, ensangüentada,
sem mão e sem pé,
chego lá esperando
ao menos cafuné.

Sou Chapèuzinho
fofa e singela.
Pelo menos hoje
não fiquei banguela.


Mas a vovòzinha,
cansada da espera,
xinga, bate, berra,
espanca e vocifera.

Êta velha chata!
Cadê o lobo mau?
Fica aí, sua inútil,
morre logo e tchau.

Sou Chapèuzinho
Verde-Amarelo.
Sorte da velhota
eu não ter um martelo.