Pela estrada afora
eu vou bem sòzinha.
Tou levando uns doces
para a vovòzinha.
Doces estragados
e pão decomposto
pois a vovòzinha
já não sente gosto.
Sou Chapèuzinho
fofa e singela.
Sempre fui xodó
da velha magricela.
Atravesso o rio
pisando no leito
e as piranhas comem
o meu pé direito.
Sigo meu caminho
a encontrar a vovó.
Ando saltitando
em cima de um pé só.
Sou Chapèuzinho
Verde-Amarelo.
Não preciso mais
do par desse chinelo.
Quando chego ao topo
do morro pelado,
vejo a choça dela
lá no outro lado.
E ao descer o morro,
uma bala perdida
leva minha mão
embora desta vida.
Sou Chapèuzinho
fofa e singela.
Já tou vendo a mão
virando mortadela.
Carregando o cesto
na mão que me resta,
um carrão me pega
e me arrebenta a testa.
Zonza, ensangüentada,
sem mão e sem pé,
chego lá esperando
ao menos cafuné.
Sou Chapèuzinho
fofa e singela.
Pelo menos hoje
não fiquei banguela.
Mas a vovòzinha,
cansada da espera,
xinga, bate, berra,
espanca e vocifera.
Êta velha chata!
Cadê o lobo mau?
Fica aí, sua inútil,
morre logo e tchau.
Sou Chapèuzinho
Verde-Amarelo.
Sorte da velhota
eu não ter um martelo.
domingo, novembro 18, 2007
Chapèuzinho Verde-Amarelo
2007-11-18T18:11:00-02:00
Permafrost