sábado, abril 26, 2008

clima pessoal

à força, se preciso, levarei meu guarda-chuva
às mais distantes plagas de meu clima pessoal
se não preciso mais de quem meu sol não coadjuva
também não peço nada a quem não seca meu varal

por isso destas linhas verte um nonsense de borrasca
em vossos inocentes olhos plenos de pudor
a fruta que germino nem um bom facão descasca
e o tempo putrefato não consegue decompor

se nuvens carregadas de gotinhas de aguarrás
no chão chovessem céus de fúria besta e corrosiva
talvez restasse ao homem dissolver-se como um lodo

mas nada que o algoz em nossos ossos liqüefaz
iguala em acidez o rol de enzimas de saliva
que jorram destas sílabas rimadas num engodo