sábado, setembro 26, 2009

como ficar milionário

Tenha sorte.

quinta-feira, julho 16, 2009

estágios

Acho q vc tem todo direito de se ofender por eu ter te chamado de idiota. Mas tbm acho q tenho todo direito de achar q quem se ofende com uma idiotice dessas é um imbecil. E tbm acho q vc tem todo direito de se ofender por eu ter chamado de imbecil quem se ofende com aquela idiotice. Mas tbm acho q tenho todo direito de achar q quem se ofende com uma imbecilidade dessas é um cretino. E tbm acho q vc tem todo direito de se ofender por eu ter chamado de cretino quem se ofende com aquela imbecilidade. Mas tbm acho q tenho todo direito de achar q quem se ofende com uma cretinice dessas é um débil mental.

Na verdade, tá melhorando.

domingo, julho 12, 2009

livraria

muita gente compra livros
pra depois ler no banheiro
só q qdo tão comprando
fazem pose de altaneiro

têm orgulho de ser cultos
falam té língua estrangeira
mas só sentam prà leitura
qdo vem a caganeira

sexta-feira, julho 10, 2009

o pior

O pior não é isso. O pior é aquilo.

sexta-feira, julho 03, 2009

por que sou quieto

Cachorro de rua não late.

sábado, fevereiro 21, 2009

the theory of art

Art is not about freedom; it's about taking liberties.

(Agora quero ver alguém traduzir isso pro portuga.)

terça-feira, outubro 28, 2008

provérbios 71:397

Quem preza a miudeza embeleza a grandeza.

terça-feira, outubro 14, 2008

in-verso

Quanto menor é o assunto
maior é o prazer do bestunto.

domingo, agosto 24, 2008

bronze Brasil

Onde brilha e bruxuleia aquela tocha,
a brabeza brasileira já não brocha
mas o atleta desta terra ainda peca:
na penúltima braçada é que ele breca.

Sabre, saibro, jogo, briga e arco-e-flecha,
lá está o cabra descobrindo alguma brecha,
uma zebra que acochambre sua bravata
sob a sombra desbragada do ouro e prata.

Ouro é brega, lembra cobre em liga vil;
prata é sobra, lembra palha de bombril;
só o bronze traz ao bróder nobre fama
celebrada com o brinde duma brahma.

E o brejeiro povo brando e alquebrado,
quando vê brotar o brio redobrado
duma cãimbra brusca ou dor nos ombros breve

diz que o time de um, de cinco ou seis ou onze,
calibrando a fibra pra chegar ao bronze,
vale ouro, mesmo que outro peito o leve.

[poema inspirado pelo hilariante blogue Bronze Brasil.]

sexta-feira, agosto 15, 2008

minhas verdades

Antes q alguém se apresse a me julgar sem saber, aqui vão algumas opiniões irredutíveis:

• o sexo dos anjos é neutrino
• quem nasceu primeiro foi a galinha
• quem te viu tem tevê

domingo, agosto 03, 2008

em teoria tudo dá certo

tem aquela anedota do cara q entra numa loja querendo comprar um artigo
-¿qual é o preço?
-cem pratas
-¡¿CEM pratas?! o preço na loja da esquina é só setenta
-e ¿por que não comprou lá?
-tava em falta lá
-ah, quando AQUI tá em falta, o preço é cinqüenta

terça-feira, julho 15, 2008

pessoas q respeito - I

Uns quinze anos atrás, o hotel Crowne Plaza da R Frei Caneca promovia em seu auditório umas noitadas de música q varavam a noite. Grandes músicos subiam ao palco pra dar uma canja, e às altas horas da madrugada, quando tudo terminava, o restaurante do hotel servia canja. Havia noites voluptuosas com grandes virtuoses e noites decepcionantes com os grandes desafinantes.

Por aquela época, eu andava com meu amigo Wanderlei Cunha, um carioca do Estácio, parecido com o Moe dos Três Patetas, trompetista talentosíssimo e ótima pessoa; se tem um defeito, é q sempre está com a cabeça três compassos adiante do momento.

Ou assim me parecia.

Uma tarde o encontrei por acaso na Oscar Freire, perto de onde ele morava. Me disse q aquela noite ia dar uma canja no Crowne Plaza. Perguntei com quem.

–Uma banda de jazz (ele pronuncia 'jaz', não 'djéz') duns compadres aí. Dois temas. Tão precisando dum gás.

O Wanderlei tinha umas teorias de performance q eu raramente entendia. Eu achava q eram coisa de trompetista. O trompete é um dos instrumentos mais difíceis e paradoxalmente mais delicados. Segundo o q eu entendia, quando um trompetista toca à frente duma banda, ela tem q soar como um carro perfeitamente regulado e limpo, com os pára-choques cromados e polidos zunindo num estrada impecável: qqer peça fora de lugar e o trompetista derrapa e dá de cara num muro. Se a banda desafina ou faz algo muito inesperado, o trompetista tem uma dor física nos lábios e dentes.

Era difícil tocar samba com ele. Samba de paulista nunca deleitava seus ouvidos cariocas. "Não tá explicado," ele reclamava. Samba tinha q soar "explicado", e ele explicava e explicava. Não dava bola fora, nunca; mas às vezes músico só quer tocar, né?

–¿Como assim, precisando dum gás?
–Os caras tão com uma banda afiada, mas tocam redondinho demais, sem cor. Tá faltando um tchan, manja? Eles solam e tal, e a platéia aplaude bonitinho no fim da música. Alguém precisa levantar o público, fazer neguinho erguer os braços no meio do solo, aplaudir e gritar êêêêê.
–Mas se o som deles é pra ser redondinho e sem cor, ué... (Eu achava q tem lugar pra todo mundo. Ainda acho. Um pouco.)
–Não tem essa. O público vai em show pra ouvir emoção; não vai pra admirar. Dá um rolê lá, cara, vc vai ver.

Fui.

Lembro q o nome do grupo era um trocadilho em inglês. Doesn't bode well. (Isso não é o nome da banda; é o q pensei eu quando vi o nome.) Uma banda competente, timbres bem encaixados, um show redondinho. O público aplaudia comedido.

Perto do fim, subiu ao palco o Wanderlei.

Tocaram um tema previamente ensaiado; aquela coisa cool, quase dava pra enxergar tudo como foto em branco & preto, ternos listradinhos e alguém segurando um cigarro com a fumaça pairando.

Entregaram pro Wanderlei solar.

Começou de mansinho, tateando o lugar e o momento. A banda segurava a onda. Ele estava agora ao volante dum carro com um pára-choque cromadinho num asfalto lisinho. As frases começaram a brotar, e foi só aí, depois de uma hora de show, q o público entendeu pra quê serve uma banda redondinha. O improviso acelerou, foi complicando e explicando. Cada nota vibrava; cada idéia começava, tinha seu momento de glória e se encaixava na seguinte. O clímax veio como uma explosão inevitável, com ritmos e riffs contagiantes e... explicados.

E foi aí q aconteceu. Enquanto o clímax ia chegando a um lugar totalmente ali, dedicado àquela platéia, àquele momento, àquela canja, e entregue a nós como um presente, o público inteiro não resistiu: ergueu os braços, aplaudiu, gritou longos êêês e ôôôs de arroubo e curtos ús de prazer, assobiou, urrou e deu risada.

A parte da risada era eu. Só eu sabia o q realmente estava acontecendo. Ele havia dito o q ia fazer e fez. Em menos de cinco minutos de palco, tinha feito uma platéia inteira entender uma coisa inexplicável e abrir um sorriso no rosto. Eu ria também porque ali eu soube q às vezes não era o Wanderlei q estava três compassos adiante do momento; às vezes era eu q estava dois compassos atrás.

Esperei o Wanderlei na saída.

–Cara, eu queria comprar um chapéu só pra tirar ele pra vc.

Ele riu. A música é só um momento. Ele já estava pensando no seguinte.

quarta-feira, julho 02, 2008

volts

A eletrizante verdade eletrocuta muita gente.

segunda-feira, junho 16, 2008

prédios de barro

Morar em prédio tem suas vantagens. Vc tem a opção de subir e descer de escada ou de elevador.

Se de escada, pode ao mesmo tempo se exercitar e filosofar sobre a decadência do mundo. Se de elevador, sempre aparece a chance de conhecer pessoas q, sob ALGUM ponto de vista, devem ser mìnimamente interessantes. Digo "devem ser" por uma questão filosófica. Qdo era adolescente, no meio de todas aquelas distorções da percepção q atormentam os jovens, reconheci q pràticamente QUALQUER pessoa poderia vir a se tornar importante e talvez interessante pra mim, assim como qualquer assunto. E é nesse espírito de mente aberta q agora despejo estas palavras sobre o leitor.

Como disse, morar em prédio tem suas vantagens. Mas acho q vc tem q ser um pouco desumano pra PREFERIR morar em prédio. Uma casa com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, tudo ao rés do chão, é apenas um espaço circunscrito q alguém pode chamar de lar. Mas empilhe quinze ou vinte cópias dessa mesma planta formando um prédio, e um problema insolúvel começa a se amontoar.

Tudo q sobe tem q descer. A dona-de-casa, digo, a dona-de-apartamento vai às compras na feira ou no mercado, traz um carrinho cheio de carnes, repolhos, mamões, pimentas, &c, leva aquilo tudo de elevador até seu apartamento, passa a semana toda preparando e comendo aquilo tudo... e daí? ¿Como é q aquilo q subiu no elevador vai descer de novo?

Moro no nono andar dum edifico com quinze. Um apartamento simples, nenhum rebusque. Da sala aos quartos há um pequeno corredor, e nele à direita o banheiro. Suponho q os arquitetos –pessoas de bom senso– disponham o banheiro a meio caminho entre a sala e os quartos pra q ele sirva também às visitas. Pois as visitas também sobem e também têm q descer, e trazem pra cima coisas q precisam voltar pra baixo de um modo ou de outro.

Pois estava eu outro dia na sala com uma visita, qdo esta honrou a previsão do arquiteto e precisou, digamos assim, virar à direita no corredor. Não é de meu feitio imaginar o q se passa entre azulejos. Acho q todos nós cagamos. Giselle Bündchen caga. Jude Law caga. Todos os presidentes do Brasil até hoje cagaram. Minha mãe cagava. O papa caga. Você caga. A rainha da Inglaterra caga e peida. Nem sempre o cagar chega aos ouvidos alheios. Mas pelo menos dessa vez, com essa visita, chegou.

Até aí nada demais. A volta da visita à sala continuaria o prazer de sua presença exatamente como dantes. Mas como eu estava, por assim dizer, de ouvidos abertos e ali bem do outro lado da parede, ouvi um outro som surgir, um som mais suave, mais distante, um som q penetrou minha orelha, estremeceu meus tímpanos e instalou em meu ser uma revelação ainda mais profunda sobre o dia-a-dia do arquiteto.

Visualize o problema. Toda a instalação hidráulica de meu banheiro está na parede q este compartilha com a sala. Já a instalação sanitária sai pelo piso e, a caminho do esgoto, desce por um pilar até o chão. Pois bem. Meu prédio tem quatro apartamentos por andar, perfazendo sessenta apartamentos no prédio. Presumindo q todos esses apartamentos tenham instalações sanitárias similares, gente morando, visitas q cagam &c, ¿onde é q moramos os condôminos, se não numa estrutura contìnuamente percorrida por fezes, urina, vomições e catamênios? ¿Quê é um edifício residencial se não um grupo de pessoas rodeadas por tubulações onde regularmente descem cocô, xixi, vômitos e menstruações? entremeadas por fios de bosta, mijo, comida podre e sangue?

Me compadeço dos moradores do primeiro andar, essa gente infeliz ensanduichada entre as neuroses da rua e os dejetos q não cessam de escorrer a sua volta. Jamais têm um minuto de paz, atormentados por sons indefinidos vindos de dentro da parede, seu sono abalado por rumores excrescentes no meio da noite. Sempre vejo moradores do primeiro andar evacuando o edifício de manhã com o alívio estampado no rosto, ou à noite arrastando os pés de volta a seus lares pejados. Quando encontro a triste senhora do 14 no saguão do prédio, e vejo seu rosto destroçado por uma constante amargura privada, um ânimo submerso numa fossa permanente, faço questão de lhe abrir a porta, ajudá-la com as compras, distraí-la por um momento. Ela me lança um olhar marrom, um sorriso caído, com sua maquiagem descuidadamente borrada. Ela sabe q no mesmo edifício há moradores menos infelizes do q ela, e eu jamais a ofenderia convidando-a pra uma visita ao nono andar.

O caso do casalzinho do 11 é talvez pior. Instalados ali após uma lua de mel numa montanha distante dos dejetos humanos, há dois anos amargam a lenta bostificação de seu romance –o sexo selvagem nas manhãs de domingo pouco a pouco se diluindo na diarréia matinal dos quatorze andares acima de seu leito. Antes, arfavam sorrindo cansados; hoje, estão esgotados já ao começar, e ao fim apenas se entreolham enfezados. Eles mesmos já se aliviaram das inibições e peidam-se mùtuamente sem constrições. Já aprenderam q o romantismo não sobrevive ao condomínio.

E este é apenas UM edifício. A cidade come e caga num cliclo imparável, e as milhares de torres nela são como coleções de tubos digestivos de pessoas magras ou gordas, ricas ou pobres, ingerindo alimentos e excretando fezes, engolindo comida e produzindo cocô, recebendo delícias e expelindo merda. Na cidade q esparrama sua urbanorréia, cada prédio ridìculamente se esforça pra manter sua aparência de assepsia cartesiana, enquando tortura os esquizóides moradores diàriamente com os ruídos ocos e fétidos nos intestinos em seu esqueleto.

quarta-feira, maio 21, 2008

fio

Sou uma faca q ri qdo é afiada.

quinta-feira, maio 01, 2008

ginas feros grimas tonas

cansei de rasgar tantas pá-
com rimas de sons infrutí-
depois de secar muitas lá-
cortei minhas proparoxí-

sábado, abril 26, 2008

clima pessoal

à força, se preciso, levarei meu guarda-chuva
às mais distantes plagas de meu clima pessoal
se não preciso mais de quem meu sol não coadjuva
também não peço nada a quem não seca meu varal

por isso destas linhas verte um nonsense de borrasca
em vossos inocentes olhos plenos de pudor
a fruta que germino nem um bom facão descasca
e o tempo putrefato não consegue decompor

se nuvens carregadas de gotinhas de aguarrás
no chão chovessem céus de fúria besta e corrosiva
talvez restasse ao homem dissolver-se como um lodo

mas nada que o algoz em nossos ossos liqüefaz
iguala em acidez o rol de enzimas de saliva
que jorram destas sílabas rimadas num engodo

segunda-feira, abril 21, 2008

o espelho não responde

Diálogo é sempre entre duas pessoas diferentes.

sexta-feira, abril 11, 2008

advice to man

who is unsure about what to expect of lady acquaintance he sees almost every day, after she starts talking about another man and cancelling engagements.

The man who thinks a lady must belong
by right to him who sees her face most oft
will soon believe that Batman's tagalong
should stick to him until their minds go soft.
Now I think Robin has no business staying
well after Batman to Catgirl does marry
because 'tis obvious Robin should be playing
in quite a diff'rent band, not there to tarry.
Now if thy aim when cultivating her
was more for future gain than present cheer,
thou shouldst have known that girls do never err
by choosing men who can't live now and here.
    'Tis best thou barkst up someone else's tree
    for ten to one the lady wants not thee.

segunda-feira, abril 07, 2008

palavras palavras palavras

Alguém por favor enforque a Cássia Eller, onde estiver.