quarta-feira, julho 17, 2019
a emética projetante e o esputo do capachismo
sexta-feira, março 22, 2019
hino néscional
I
Ouviu-se “Bolsonaro, vai tomar no cu!”
O povo alçou-se em brado retumbante.
O Bozo em liberdade é como um belzebu
que borra o céu da pátria a todo instante.
Se o senhor da insanidade
é um expulso capitão de mente torta,
em seu seio de nulidade
desafia a inteligência de uma porta!
Ó, pato assado
em goiabada!
Quac! Quac!
Brasil, vergonha imensa do ato cívico
que pôs na presidência um cafajeste,
pois seu vaidoso fel medonho e cínico
exala o podre cheiro de uma peste.
Farsante pela própria natureza,
é feio, fraco, baixo, burro e grosso –
e seu passado espelha essa vileza.
Besta quadrada!
É um imbecil
que do Brasil
não sabe nada!
E os filhos desse Bosta…
Puta que o pariu!
Palhaçada, Brasil!
II
Votado espertamente a um cargo esplêndido,
chamou Damares, Salles e Araújo −
feiúras de covil, vilões da América,
invertebrados fãs do jogo sujo.
Do que a merda mais ardida,
seu bisonho cérebrô tem mais fedores.
Sua fé é mais fingida;
seus heróis executaram mais horrores.
Ó, pato assado
em goiabada!
Quac! Quac!
Brasil abriu as pernas pra um astrólogo −
o Olavo, de nojenta voz de gado.
E diz que o mestre louco tem má fama lá,
pois é um fajuto à escória destinado.
E Guedes – da cobiça o cabra forte,
varão da economia prostituta –
bem quer deixar o pobre à própria sorte.
Besta quadrada!
É um imbecil
que do Brasil
não sabe nada!
E os filhos desse Bosta…
Puta que o pariu!
Palhaçada, Brasil!
sexta-feira, novembro 10, 2017
o blogue neste saite tem um linque
Fiz um team de football com meu maestro cook, meu chauffeur e meu θεραπευτής, e foi um fiascum. Não têm ιδέα de como shoot uma bŭlla. Num jocus contra um gruppo de παραλυτικός, o placard foi děcem à صفر. Cazzo, assim não dá pra ficar 禅.
terça-feira, março 29, 2016
aeiou
Há. Ói.
O ioiô é o ó?
É.
Ah. Eu ia ao auê aí.
Ãã?
O auê é aí, ou é o…?
É, ué.
Eu ia aí.
E o ioiô? Há o ioiô e o auau.
Uau! …
E aí?
Um ioiô e um auau, é?
É.
Ãã… Ó, eu ia ou o aio ia.
Há um aio?
Há.
Aiaiaiai.
sexta-feira, dezembro 18, 2015
O ENSINO DE CIÊNCIAS NO BRASIL
Em relação ä educação no Brasil, tive uma experiência muito interessante [em1951]. Eu estava lecionando prum grupo de alunos de mestrado –pois, naquela época, o Brasil não oferecia muitas oportunidades pra cientistas altamente qualificados. Esses alunos já tinham concluído muitos cursos, e aquele seria seu curso mais avançado em eletricidade e magnetismo –equações de Maxwell &c.
A universidade ocupava vários prédios de escritórios distribuídos pela cidade, e o curso que eu dava era num prédio com vista pruma baía.
Descobri um fenômeno muito esquisito: quando eu fazia uma pergunta, os alunos respondiam imediatamente. Mas quando eu fazia a pergunta de outra forma, a mesma questão sobre o mesmo assunto –pra mim, pelo menos–, eles não sabiam responder!
Por exemplo, certa vez, falando sobre polarização de luz, dei à eles umas lâminas de filme polarizado, ou polaróide. O polaróide só deixa passar luz cujo vetor elétrico esteja numa determinada direção. Então expliquei como dá pra saber a direção da polarização da luz, bastando checar se o polaróide está opaco ou transparente.
Primeiro, pegamos duas lâminas de polaróide e as giramos até a posição em que deixavam passar o máximo de luz. Portanto, as duas lâminas estavam deixando passar luz polarizada na mesma direção: o que atravessava uma das lâminas também atravessava a outra. Mas, aí perguntei como daria pra saber a direção absoluta da polarização à partir de uma única lâmina de polaróide.
Eles não faziam a menor idéia.
Eu sabia que isso requeria uma certa engenhosidade; então dei uma pista:
—Olhem a luz refletida vindo da baía lá fora.
Ninguém disse nada.
Aí eu disse:
—¿Já ouviram falar do Ângulo de Brewster?
—¡Sim, senhor! O Ângulo de Brewster é o ângulo em que a luz fica completamente polarizada quando refletida por um meio com índice de refração.
—E ¿em qual direção a luz é polarizada quando refletida?
—A luz é polarizada perpendicularmente ao plano de reflexão.
Até hoje em dia, eu mesmo tenho que raciocinar pra me lembrar disso; mas ¡eles sabiam de cor! ¡Sabiam até que o índice é a tangente do ângulo!
Eu disse:
—Então?
Continuaram em silêncio. Tinham acabado de me dizer que a luz refletida por um meio com índice, tal como a baía lá fora, era polarizada. Tinham até falado da direção da polarização.
Eu disse:
—Olhem a baía lá fora através do polaróide. Agora virem o polaróide.
—Ah! ¡Tá polarizada!— disseram.
Depois de muita sondagem, finalmente descobri que os alunos tinham decorado tudo, mas não sabiam o que as frases significavam. Quando ouviam “a luz refletida por um meio com índice”, não sabiam que isso significava um material tal como a água. Não sabiam que “a direção da luz” é a direção em que você enxerga uma coisa quando está olhando pra ela, e assim por diante. Tudo estava totalmente decorado, mas nada fora traduzido em palavras que fizessem sentido real. Assim, se eu perguntasse: “¿Quê é o Ângulo de Brewster?” eu estava entrando no computador com a senha correta. Mas se eu dissesse: “Olhem a água,” não acontecia nada –eles não tinham nada com o código “Olhem a água.”
Depois, assisti à uma aula na faculdade de engenharia. A aula era assim: —Consideram-se dois corpos … equivalentes … se o mesmo torque … resultar … na mesma aceleração. Consideram-se dois corpos equivalentes se o mesmo torque resultar na mesma aceleração.
Os alunos todos sentados ali copiavam o ditado e, quando o professor repetia a frase, checavam pra confirmar que tinham anotado corretamente. Aí anotavam a frase seguinte, e a próxima, e assim por diante. Eu era o único ali sabendo que o professor falava de corpos com o mesmo momento de inércia, mas era difícil articular isso à partir do que ele dizia.
Eu não via como eles aprenderiam alguma coisa à partir daquilo. O assunto era o momento de inércia, mas nada se falava de como é mais difícil abrir uma porta se você tem que empurrar objetos pesados no outro lado, e fica mais fácil quando os objetos estão perto da dobradiça –nada!
Depois da aula, conversei com um aluno:
—Vocês fizeram todas essas anotações. ¿Quê vão fazer com elas?
—Ah, vamos estudar. Vai cair na prova.
—E ¿como vai ser a prova?
—Muito fácil. Já dá pra te dizer agora uma das questões.
Olhou no caderno e disse:
—«¿Quando dois corpos são equivalentes?» E a resposta é: «Consideram-se dois corpos equivalentes se o mesmo torque resultar na mesma aceleração.»
Então, percebe? Eles conseguiam passar nas provas, “aprender” tudo aquilo, e mesmo assim podiam não saber nada, exceto aquilo que tinham decorado.
Depois, fui ver um exame de admissão prä faculdade de engenharia. Era uma prova oral, e consegui permissão pra ouvi-la. Um dos alunos foi absolutamente fantástico: ¡respondeu tudo certinho! A banca examinadora lhe perguntou o que era ‘diamagnetismo’ e ele respondeu perfeitamente. Depois perguntaram:
—Quando a luz incide à um certo ângulo sobre um material duma certa espessura e com um certo índice N, ¿quê acontece com a luz?
—Ela ressurge paralela à si mesma, deslocada.
—E ¿deslocada em quanto?
—Não sei, mas posso calcular.
E aí ele calculou. Ele era muito bom.
Mas, nessa altura, eu já tinha minhas suspeitas. Depois da prova oral, abordei esse brilhante jovem e expliquei que eu era do Zeuá e que queria lhe fazer umas perguntas que não afetariam de forma alguma os resultados da prova. A primeira pergunta que fiz foi:
—¿Pode me dar um exemplo duma substância diamagnética?
—Não.
Aí perguntei:
—Se este livro fosse feito de vidro e eu enxergasse através dele alguma coisa em cima da mesa, ¿quê aconteceria com a imagem se eu inclinasse o vidro?
—Ela seria defletida, em duas vezes o ângulo em que você virasse o livro.
Eu disse:
—Você não tá confundindo isso com um espelho, tá?
—¡Não, senhor!
Ele tinha acabado de dizer na prova que a luz seria deslocada, paralela à si mesma e, portanto, que a imagem se deslocaria prum lado, mas não seria alterada em ângulo nenhum. Tinha até calculado em quanto ela se deslocaria. Mas não tinha sacado que o vidro é um material com índice e que o cálculo dele se aplicava à minha pergunta.
Na faculdade de engenharia, dei um curso sobre métodos matemáticos na física, no qual tentei mostrar como resolver problemas por tentativa e erro. É uma coisa que as pessoas geralmente não aprendem; então comecei dando alguns exemplos simples de aritmética pra ilustrar o método. Fiquei surpreso quando apenas oito entregaram a primeira tarefa, dentre cerca de oitenta alunos. Na aula seguinte, pus bastante ênfase na necessidade de tentar resolver a tarefa, e não só ficar ali me vendo fazer a coisa.
Depois dessa aula, uns alunos formaram uma pequena delegação pra falar comigo, e me disseram que eu não tinha entendido a formação acadêmica deles, que eles podiam estudar sem resolver os problemas, que eles já sabiam aritmética, e que essa coisa toda estava abaixo do nível deles.
Mas continuei o curso e, fosse qual fosse o nível de complexidade, que òbviamente ia ficando cada vez mais avançada, eles não entregavam uma única tarefa. É claro que eu já tinha percebido o problema: ¡eles não sabiam como!
Outra coisa que nunca consegui foi que eles me fizessem perguntas. No fim, um aluno me explicou:
—Se eu fizer uma pergunta durante a aula, depois todos vão me xingar: «¿Por quê você tá nos fazendo perder tempo no curso? Tamos tentando aprender as coisas, mas tuas perguntas tão interrompendo o professor.»
Era como se estivessem contando vantagem. Ninguém sabe o que está acontecendo e todos se mantém no mesmo nível fingindo que sabem. Todos fazem de conta que dominam a matéria, e se um aluno admitir por um momento que algo está meio confuso e faz uma pergunta, os outros se enchem de arrogância, como se não houvesse confusão nenhuma, e dizem äquele aluno que ele está desperdiçando o tempo dos demais.
Expliquei como é útil trabalhar em grupo, pra discutir as dúvidas e solucioná-las, mas eles também não queriam isso pois iam perder a pose se tivessem que perguntar algo à um colega. Lamentável! Eles, gente inteligente, se esforçavam pacas, mas recaíam nessa maneira risível de pensar, nessa forma estranhíssima de “educação” reiterativa, que não quer dizer nada, ¡absolutamente nada!
Ao final do ano acadêmico, os alunos me pediram pra dar uma palestra sobre minha experiência de lecionar no Brasil. Na palestra, estariam presentes não só alunos, mas também professores e autoridades. Então, pedi que prometessem que eu poderia dizer o que eu quisesse. Eles disseram:
—Claro. Tamos num país livre.
Então fui dar a palestra levando os livros de física elementar que eles usavam no primeiro ano de faculdade. Eles achavam esses livros bons pois os tipos de letras diferentes –negrito, não-negrito &c– mostravam as coisas mais importantes pra se decorar, as coisas menos importantes, e assim por diante.
Imediatamente, alguém disse:
—Você não vai falar do livro-texto, vai? O cara que o escreveu tá aqui, e o livro é muito bem conceituado.
—Vocês me prometeram que eu poderia dizer o que eu quisesse.
O auditório estava lotado. Comecei definindo ‘ciência’ como uma maneira de compreender o comportamento da natureza. Então perguntei:
—¿Qual seria um bom motivo pra lecionar ciências? Òbviamente, nenhum país pode considerar-se civilizado à menos que… e blablabla.
Eles todos balançavam a cabeça concordando, pois eu sabia que essa é a concepção deles.
Aí eu disse:
—Isso é claramente absurdo; pois ¿pra quê achar que temos que nos igualar à outro país? Temos que ensinar ciências por um bom motivo, um motivo sensato, não apenas porque outros países ensinam.
Aí falei sobre a utilidade da ciência e sua contribuição prä melhoria das condições de vida, e coisas do tipo. No fundo, eu estava dando umas cutucadas neles.
Aí eu disse:
—O principal intuito desta palestra é demonstrar à vocês que no Brasil não se ensina ciência alguma.
Vi que se incomodaram, pensando “Quê? ¿Não se ensina ciência? ¡Que maluco! Temos todos esses cursos aí…”
Aí eu disse que uma das primeiras coisas à me chamar a atenção quando cheguei ao Brasil foi ver meninos do primário comprando livros de física nas livrarias. Tem tantas crianças aprendendo física no Brasil, começando muito mais cedo do que no Zeuá, que impressiona o fato de não haver muitos físicos no Brasil. ¿Por quê, isso? Tantas crianças se esforçando, mas o resultado não aparece.
Aí fiz uma analogia com um acadêmico de grego que adora a língua, e sabe que seu país tem poucas crianças estudando grego. Mas aí ele visita outro país, onde fica deslumbrado de ver todos estudando grego –até mesmo as criancinhas do primário. Ele testemunha a prova oral dum aluno que está se formando em grego e lhe pergunta:
—¿Quais as idéias de Sócrates sobre a relação entre a Verdade e a Beleza?
…e o aluno não consegue responder. Então pergunta ao aluno:
—¿Quê disse Sócrates à Platão no Terceiro Simpósio?
O aluno se ilumina e começa: “Blablabla” –repete tudo que Sócrates disse, tintim por tintim, falando grego lindamente.
Mas acontece que no Terceiro Simpósio, ¡Sócrates falou justamente da relação entre a Verdade e a Beleza!
O que esse acadêmico de grego descobre é que os alunos nesse outro país estudam grego aprendendo primeiro à pronunciar letras, depois palavras e daí frases e parágrafos. Conseguem recitar, palavra por palavra, o que Sócrates disse, sem perceber que aqueles sons gregos na verdade querem dizer coisas. Pro aluno, elas são apenas sons artificiais. Ninguém jamais os traduziu pra palavras que os alunos consigam entender.
Eu disse:
—É assim que me parece quando vejo vocês ensinando ‘ciências’ aos alunos aqui no Brasil. (¡Que paulada, hem?)
Aí ergui o livro-texto de física elementar que eles usavam.
—Em lugar nenhum deste livro menciona-se um resultado experimental, exceto numa página em que aparece uma bola descendo um plano inclinado, em que cita-se a distância que a bola percorreu em um segundo, dois segundos, três segundos, e assim por diante. Os números têm “erros” –ou seja, se você olhar, acha que tá vendo resultados experimentais pois os números tão um pouco acima ou um pouco abaixo dos valores teóricos. O livro fala até sobre a necessidade de corrigir erros experimentais –o que é ótimo. O problema é que, se você calcular o valor da constante de aceleração pra esses valores, obterá a resposta correta; mas se você realmente soltar uma bola num plano inclinado, ela terá uma inércia pra começar à rodar e, se você fizer o experimento, produzirá cinco sétimos da resposta correta, por causa da energia extra necessária pra iniciar a rotação da bola. Portanto, o único exemplo de “resultados” experimentais no livro foi obtido dum experimento que nunca houve. Ninguém soltou essa bola, pois ¡tais resultados jamais seriam obtidos!
—Descobri mais uma coisa— continuei. —Se eu abrir o livro aleatòriamente, colocar o dedo numa frase numa página qualquer e lê-la, posso demonstrar o problema: que isto não é ciência, mas decoreba, em todos os casos. Portanto, posso me arriscar o suficiente pra abrir o livro agora, perante esta platéia, colocar meu dedo numa página, ler o que encontro e demonstrar isso à vocês.
E foi o que fiz. Brrrrrrrup: enfiei um dedo e comecei à ler:
—«Triboluminescência. Triboluminescência é a luz emitida quando se pressiona um cristal.»
Eu disse:
—E aí, ¿viram alguma ciência? Não! Só se definiu o sentido duma palavra em termos de outras palavras. Nada se disse sobre a natureza: quais cristais produzem luz quando se os pressiona, ou por quê produzem luz. ¿Viram algum aluno fazendo o experimento em casa? Não saberá o que fazer. Mas si, em vez disso, estivesse escrito: “Quando você pega um torrão de açúcar e o pressiona com um alicate no escuro, verá uma luz azulada. Alguns outros cristais também fazem isso. Ninguém sabe por quê. Esse fenômeno se chama ‘triboluminescência’,” então alguém fará o experimento em casa. Desse modo, a natureza fará parte da experiência do aluno.
Usei esse exemplo pra mostrar à eles, mas não faria qualquer diferença em qual página eu enfiasse o dedo; era isso em toda página.
Por fim, disse que não conseguia ver como alguém podia ser educado nesse sistema reiterativo, no qual a pessoa passa em provas e ensina outros à passar em provas, mas ninguém sabe nada.
—No entanto— eu disse, —devo tar enganado. Em meu curso, dois alunos foram muito bem, e um dos físicos que conheço foi inteiramente educado no Brasil. Portanto, pra algumas pessoas deve ser possível se esgueirar pelo sistema, mesmo ele sendo ruim.
Bom, depois de minha palestra, o chefe do departamento de educação científica se levantou e disse:
—O Sr Feynman nos disse algumas coisas difíceis de ouvir, mas vê-se que ele realmente adora ciências e foi sincero em suas críticas. Assim sendo, acho que devemos lhe dar atenção. Vim aqui hoje sabendo que temos alguma doença em nosso sistema educacional; mas ¡constatei que o que temos é um câncer!— e sentou-se.
Isso abriu caminho pra outras pessoas se expressarem, e houve uma grande agitação. Todos se levantavam e davam sugestões. Os alunos formaram uma comissão pra mimeografar as aulas antecipadamente, e organizaram outras comissões pra fazer uma coisa ou outra.
Então aconteceu algo totalmente inesperado pra mim. Um dos alunos se levantou e disse:
—Sou um dos dois alunos à quem o Sr Feynman se referiu no final da palestra. Minha formação não foi no Brasil; estudei na Alemanha e só vim ao Brasil este ano.
O outro aluno que foi bem no curso disse algo semelhante. E o professor que eu tinha mencionado se levantou e disse:
—Estudei aqui no Brasil durante a guerra quando, felizmente, todos os professores estavam fora da universidade; então aprendi tudo lendo sòzinho. Portanto, na verdade, não estudei no sistema brasileiro.
Por essa, eu não esperava. Sabia que o sistema era ruim, mas 100 por cento –era terrível!
Como eu estava no Brasil num programa patrocinado pelo governo do Zeuá, o Departamento de Estado me pediu pra escrever um relatório sobre minhas experiências lá, e nele escrevi os principais pontos dessa palestra que dei. Mais tarde fiquei sabendo, por um boato, que alguém no Departamento de Estado tinha comentado:
—Isso mostra como é perigoso enviar alguém tão ingênuo ao Brasil. Que pateta. Só pode causar encrenca. Não entendeu os problemas de lá.
¡Pelo contrário! Acho que essa pessoa no Departamento de Estado é que foi ingênua em achar que, só porque viu uma universidade com uma lista de cursos e descrições, isso é de fato o que era.
quinta-feira, agosto 27, 2015
como usar rimas, ritmo, aliterações, regiões semânticas e contrastes pra dar a impressão de q vc tá dizendo alguma coisa
cortando o caminho e o rumo sem volta nem ida.
Carrego meu peso e me peço q encontre através
do tempo um atalho, uma brecha, um buraco suicida,
pois cada ravina rochosa em q já tropecei
sangrando rasgado na ríspida queda inexata
mostrou-me q um corpo caindo obedece uma lei
mortífera e breve q nada e niguém desacata.
Não há o q dizer das dezenas de falsos trajetos.
No fundo do fosso, talvez no sopé do penhasco,
ali onde carne deu casa e comida aos insetos
e vermes q até mesmo äs ávidas aves dão asco,
ali, onde a trilha me traz pelos tortos e retos
desvios, desponta um sentido, talvez um fiasco.
terça-feira, julho 29, 2014
burricismo, ignorantismo, feiurismo
–Olha, ouvinte, não precisa se ofender com o q eu disse, não, hem. Se ofender faz mal prä saúde, pô. Se cuida. Mas ¿como vc pode evitar de se ofender? É simples. Muito provàvelmente –não posso dizer com certeza, claro, mas muito provàvelmente– vc se ofendeu pois vossa inteligência e informação neste assunto tão ali na média, ou abaixo dela. Vc pode ter se ofendido só pq vc provàvelmente, neste assunto, é burro e mal-informado. Vc só precisa entender isso e aceitar como um fato da vida. Né? Mas olha, não tem problema vc ser burro ou mal-informado nisso. Todos nós somos burros ou mal-informados nalgum assunto. Ou melhor, só vejo um único probleminha, q é o de se ofender fàcilmente, pois gente burra e mal-informada não vai ter argumentos, não vai saber expressar sentimentos, não vai conseguir concatenar impressões num discurso coerente. Aí vc descamba pra se ofender. Lógico. Isso é reação do animalzinho q há em vc. Mas gente inteligente e bem informada num assunto não se ofende qdo se fala dele. Já viu? Então. A decisão inteligente é vc aceitar q é burro ou mal-informado neste assunto. Seria um primeiro passo pra vc não precisar ficar aí se ofendendo em vez de fazer algo útil.»
tirado de “LIVRO FICTÍCIO”, de Autor Conhecido
Em outra parte do “LIVRO FICTÍCIO”, Mascaranhas, acusado de preconceito por um ouvinte, responde:
«–Olha, ouvinte, não tenho nenhum preconceito contra gente de vossa laia, hein. ¿Tá me estranhando? Defendo abertamente q todos têm direito ä burrice, até mesmo os espertos; q todos têm direito ä ignorância, até mesmo os informados; assim como defendo q todos têm direito ä feiúra, até mesmo os belos.»
quarta-feira, julho 09, 2014
sete à
em nossa campanha,
sem glórias de antanho
e nenhuma façanha.
O comedor de ranho
usou de artimanha
melhor q o tacanho
juiz da Espanha.
Levamos um banho
e venceu-nos a sanha
do exato tamanho
da própria Alemanha.
E agora o rebanho
descendo a montanha
diz, rouco e fanho,
“Quê é q se ganha?
Quê é q se ganha?”
(Sim, fui eu q compus. E olha q nem sou brasileiro, nem sigo futebol, nem vi os jogos, e preferiria q 200 milhões de pessoas não fossem tão iguaizinhas.)
quinta-feira, dezembro 19, 2013
quinta-feira, outubro 03, 2013
segunda-feira, março 25, 2013
vidrente
Fiquei perplexo.
Anos depois, deixei cair um prato no chão, previ o prato quebrar, mas não quebrou. Caiu bem em cima de meu pé e doeu pacas
Havia perdido o poder.
Dizem q é preciso ser criança.
Mas aprendi uma lição: si vc deixar cair um copo ou prato, pode aparar a queda com o pé, e salvá-lo. É um bom truque pra céticos.
domingo, março 03, 2013
quinta-feira, novembro 15, 2012
domingo, junho 24, 2012
quinta-feira, maio 31, 2012
I'm a great fan of other people's hypocrisy –it makes mine unnecessary.
sexta-feira, abril 27, 2012
retruque ä crítica
o jazz é uma navalha q separa
quem toca de quem posa e executa,
quem ouve de quem meramente escuta.
quinta-feira, outubro 20, 2011
arrã
quando caguei não consegui mijar
quando mijei não consegui cagar
quando arrotei não consegui escarrar
quando escarrei não consegui arrotar
quando babei não deu pra vomitar
se vomitei, não consegui babar
quando chupei não consegui espirrar
quando espirrei não consegui chupar
quando gozei não consegui peidar
quando peidei não consegui gozar
quando trepei não consegui cagar nem vomitar
domingo, setembro 18, 2011
nos moldes
(palavras usadas no programa de estréia, 17set2011)
quarta-feira, setembro 14, 2011
terça-feira, janeiro 11, 2011
terça-feira, agosto 24, 2010
neimedrópin
Algumas semanas atrás fiquei doentinho de cama. Sem saco pra muita coisa, resolvi sucumbir a um de meus passatempos prediletos: analisar listas. Nas primeiras duas Copas, tinha notado q os oito livros a mim designados tinham algo em comum: todos eles citavam nomes de pessoas reais e famosas. Não só isso, mas q a grande maioria dessas pessoas eram estrangeiras e do 1° mundo. Fiquei meio intrigado com isso – pra não dizer traumatizado com o volume de name-dropping no livro do Tezza –, mas deixei passar. Foi só nesses dias de cama q o pensamento voltou.
Pra temperar o q vou dizer aqui, devo adiantar q, antes de ser convidado prà Copa, eu não lia literatura brasileira havia uns 25 anos. Em minha biblioteca havia um total de 3 livros de autores brasileiros: Vaca de nariz sutil, O coronel e o lobisomem, e uma antologia de Augusto dos Anjos. Já havia lido muito, mas fui perdendo os livros com o tempo. De ficção, leio muita literatura européia de mais de 50 anos; descontando alguns hispano-americanos, não leio muita coisa mais recente. De modo q não tava acostumado ao q vi nesses oito livros, embora citar nomes reais em livros de ficção não seja coisa nova ou desprestigiada na lit. bras. – vide Machado. Pelo q vejo da literatura européia q leio, a citação dum nome real raramente carece dum motivo temático: o nome, aquele nome em particular, tem um motivo pra estar ali, um motivo tramático q o autor explicita de alguma forma. Sabendo q um nome real denota muitas complexidades – estas às vezes antitéticas –, o autor não espera q o leitor tenha um conhecimento prévio do aspecto específico do nome q o fez inclui-lo no texto, em detrimento de qqer um dentre as dezenas de outros nomes possíveis. A menos q escreva um texto impressionista e/ou verborrágico, o autor consciente inclui um nome numa trama pq NESSA trama ele não tem outra escolha além de inclui-lo.
Por isso me assustei ao ler tantos nomes reais naqueles oito livros. Ok: desses oito, vou tirar os dois romances baseados em fatos históricos, Música perdida e Um defeito de cor. Abaixo, segue uma lista dos nomes reais citados nos outros seis, na ordem e na forma em q aparecem. E = estrangeiro, PE = produção estrangeira, B = brasileiro, PB = produção brasileira; nomes entre parênteses não são citados textualmente; eliminei os nomes com mais de 500 anos.
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As sementes de Flowerville
E: Neil Gaiman, Fermat, Vivaldi, Danny Glover, Florbela Espanca, Sylvia Plath, (Yutaka) Taniyama, (Goro) Shimura, Anna Akhmatova, The Strokes, Franz Ferdinand, Karl Marx, Jesus & Mary Chain, Bob Dylan, Georgia O'Keeffe, Paloma Picasso
PE: Sandman, Waltons, John Boy, Mary Ellen, Tarzan, Twilight Zone, Speed Racer, National Kid, Ultra Man, Jaspion, Super-Homem
PB: o Mug
Corpo estranho
E: Einstein, Rimbaud, (Etienne) Carjat, (Alfred) Stieglitz, Whitman, Margaret Mee, Linnaeus, E.Twining, P.S.Bury, S.A.Drake, Michelangelo, Gaudí, Dickens, Lewis Carrol, Van Gogh, (Erwin) Panofski, Cesare Ripa, Harrison Ford, Nadar (G-F.Tournachon), Kurt Cobain, Lucian Freud, Oscar Wilde, Alfred Douglas, Basquiat, Gertrude Stein, Marcel Proust, Simone de Beauvoir, Quino, Foucault, El Greco
PE: Vogue, National Geographic, Greenpeace, Turandot, As Ondas (de V.Woolf), Pip (de Dickens), Ahab (em Moby Dick), Miranda (de J.Mayhew), (Duquesa de) Guermantes, Mafalda, Tintin, Asterix
B: (C.Lispector, russa), Cruz e Lima (?), Alex Vallauri (etíope)
Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi
E: Jayne Mansfield, Rita Hayworth, Marlon Brando, Groucho Marx, Velvet (Underground), Fats Domino, Tommy Dorsey
PE: Discovery Channel, On the Sunny Side of the Street
B: Pixinguinha, D. João VI (português), Lula
PB: Jornal Nacional, Bom Dia Brasil
Toda Terça
E: Alejandra Pizarnik, (Mario) Benedetti, Marlene Dietrich, Proust, Unica Zürn, (Lacan), madre Teresa de Calcutá, Deleuze, Heidegger, Frida Kahlo, Che Guevara, Compay Segundo, Pola Negri, Miró, Billie Holiday, Nina Simone, Juliette Gréco, Charles Aznavour
PE: (Moebius), Ulrica, Javier, (El lado oscuro de la luna), National Geographic, (Genealogies d'un crime), Cinderela, Branca de Neve, Nautilus
B: Corisco, Portinari
O dia Mastroianni
E: Mastroianni, Elvis Presley, Claudia Cardinale, Oscar Wilde, Jackie O., Buñuel, Éluard, Anita Ekberg, Sophia Loren, Beethoven, Luís XV, Schopenhauer, Miles Davis, Johnny de le Fleuve (Johnny Rivers? Johnny Rivera?), Ben Gazzara, Modiglianni, (Louise) Lulu Brooks, Tony Bennett
PE: Pernalonga, Herald Tribune, Mxyzptlk, Puttin' on the Ritz, Branca de Neve
B: Jorge Ben, Adele Fátima
O filho eterno
E: Thomas Bernhard, Søren Kierkegaard, Kipling, Rousseau, Balzac, Dostoiévski, James Joyce, Thomas Mann, Nietzsche, Da Vinci, John Langdon Haydon Down, príncipe Charles, Kennedy, Jerôme Lejeune, T.S.Eliot, Heidegger, Mendel, Jean Piaget, Horace McCoy, Grimm, Lamarck, Darwin, Aldous Huxley, Camus, (Karl) Marx, Freud, Álvaro Cunhal, Chaplin, Disney, Hemingway, Franco, Tolkien, Goethe, Günther Grass, John Steinbeck, Heinrich Böll, Scott Fitzgerald, Sartre, Dickens, Cortázar, Borges, Andy Warhol, Henrik Ibsen, Shakespeare, Münch, William Faulkner, Einstein, Joseph Conrad, Karl Jaspers, Vargas Llosa, García Lorca, Herman Hesse, Reich, Groucho Marx, Pasolini, Costa-Gravas, Kafka, Stanislavski, Jerry Lewis, Peter Sellers, Jung, Brecht, Manet, Van Gogh, Gauguin, Ensor, Yoko Ono, Miriam Makeba
PE: Admirável mundo novo, Dom Quixote, Comédia Humana, Ulisses (de Joyce), Leopold Bloom, Pangloss, Quatro Quartetos (de Eliot), O nascimento da inteligência na criança, Dr Strangelove, O homem revoltado, A origem da tragédia, Raskolnikoff, A montanha mágica, O inimigo do povo, Ricardo III, Paris é uma festa, Alfa Mais, Cem anos de solidão, A cidade e os cães, 2001 Uma odisséia no espaço, Decameron, Z, Sherlock (Holmes), Summerhill, Pokémon, Batman, Super Homem, Peter Pan, Bolinha, Comédia dos erros, Um convidado bem trapalhão, capitão Haddock, As confissões, A engrenagem, Tarzan, Dexter, Os sem-floresta, Astérix e Obélix, Meninas Superpoderosas
B: Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Geraldo Vandré, Newton Freire-Maia, Monteiro Lobato, Nelson Rodrigues, Portinari, Jorge Amado, Luiz Delfino, Lamarca, Graciliano, Paulo Maluf, Marighella
PB: Revista de Letras, Jeca Tatu, Brás Cubas, O pasquim, O Estado de S. Paulo, Manual da guerrilha urbana, Emília, Jornal Nacional
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O q salta à vista imediatamente é a proporção de nomes estrangeiros (quase todos do 1° mundo) contra nomes brasileiros. Contando apenas os nomes de pessoas reais, eis o placar Estrangeiros x Brasileiros:
As sementes de Flowerville: 10 x 0
Corpo estranho: 30 x 3
Lugares que não conheço...: 7 x 3
Toda terça: 18 x 2
O dia Mastroianni: 18 x 2
O filho eterno: 68 x 13
Incluindo as produções culturais, as proporções ficam ainda mais gritantes:
As sementes de Flowerville: 26 x 1
Corpo estranho: 42 x 3
Lugares que não conheço...: 9 x 5
Toda terça: 27 x 2
O dia Mastroianni: 23 x 2
O filho eterno: 107 x 21
No caso de muitas citações, a preferência por nomes estrangeiros pode não significar nada. Em As sementes, essa preferência pode ser irônica; em Lugares, percebo até um certo sarcasmo nas poucas citações. As em Toda terça são as q tão mais próximas da intenção tramática; a grande maioria não são só nomes jogados ou citados: há uma teia de referências. Em Mastronianni, não são apenas os nomes q foram jogados: o livro todo é jogado – com algum charme petulante, mas jogado. Em Corpo estranho e O filho eterno, os nomes são citados com deferência e sem qqer ironia. Nestes dois, muitos nomes aparecem até mesmo em listas de quatro ou cinco nomes – presentes ali só pra estar ali e mais nada, embora em partes O filho eterno teja consciente da, digamos, subserviência: "Os escritores brasileiros somos pequenos ladrões de sardinha." (pg 104).
Claro q tou consciente das múltiplas variáveis. O autor escreve sobre o mundo q o cerca, e esse mundo contém esses nomes; o Brasil é apenas um país entre muitos e há trocentos mais nomes conhecidos estrangeiros do q brasileiros; ao se tornar citável, todo nome torna-se patrimônio da humanidade; e o autor escreve o q lhe dá na telha, ¿dá licença?
Sim, óbvio. Só q tou falando disso não como crítica literária, mas como descrição dum fenômeno – e acho q tou justificado em chamar isso de 'fenômeno'. Ano passado, fui a uma livraria, onde folheei vários livros brasileiros de ficção recentes e confirmei a impressão: extrapolando a relativamente pequena amostragem, concluo q não é um livro brasileiro aqui e outro ali; são livros às centenas; poucas exceções. É como se grande parte da ficção brasileira não se visse como literatura autônoma, q criasse seus próprios significados; é como se ela se arriscasse a existir apenas enquanto ancorada nos grandes influentes; como se seus autores vissem no Brasil pouco q valesse ser narrado sem o aval, sem o visto assinado dos "grandes" estrangeiros.
O déficit de autonomia na xeno-referência leva às vezes a desajeitos ou a potenciais mal aproveitados. Às vezes, soa como o proverbial japonês tocando samba. Por exemplo, em O filho eterno, o autor fala incontadas vezes de seus ideais adolescentes inspirados por Nietzsche e Rousseau, mas jamais atenta à ironia no paralelo entre, de um lado, o super-homem do primeiro e o bom-selvagem do segundo e, do outro, o pai e seu filho deficiente mental. Nietzsche é o Nietzsche de O nascimento da tragédia e só; Rousseau é o Rousseau da comunhão com a natureza e só. Me deu irque, a repetição exaustiva dos dois nomes sem jamais mencionar, sugerir ou sinalizar o paralelo com o pai e o filho – algo q jamais escaparia a alguém realmente embrenhado em Nietzsche e Rousseau.
É óbvio tbm q várias dessas citações têm sua razão de ser em cada livro. Por exemplo, Fermat tem um papel central em As sementes. Mas certos nomes parecem estar ali só por escapismo. Por exemplo, em As sementes, um personagem "parece o Danny Glover" (pg 52); em Mastroianni, alguém é descrita como "uma lulu brooks" (pg 183); numa cena de Corpo estranho, a aparência de alguém lembra "uma aldeã de El Greco" (pg 254). ¿Não é um fenômeno peculiar q ninguém se pareça com um brasileiro conhecido?
Num concorrente desta Copa, Galiléia (placar geral preliminar 25 x 0), três personagens param num boteco de beira-estrada, sentam em cadeiras "fornecidas por uma cervejaria" e um deles "deseja apenas uma coca-cola" (pg33). O autor se sente à vontade pra mencionar o nome duma multinacional mas não o da cervejaria (q deve ser brasileira). ¿Não é intrigante, no mínimo?
Pois então, ¿de onde vem isso? Muitas citações são francamente gratuitas. Mas apesar do título deste texto, na verdade não acho q seja realmente pra impressionar q esses autores mencionem nomes estrangeiros e ignorem quase completamente os produtores e os produtos culturais do Brasil. Mas ¿será? Ou ¿será um pudor, uma cautela – tipo tal como em festa só se fala de quem tá ausente? ¿Será um cacoete? ¿Será a natureza adulatória do brasileiro se manifestando? ¿Será um desejo de se internacionalizar – demonstrando cosmopolitismo e expurgando referências incompreensíveis ao resto do mundo pra facilitar a tradução? ¿Será apenas pq se trata de ficção, com uma dose de escapismo até mesmo pro autor?
O escapismo seria o mais irônico. Nomes do 1° mundo enxurram a tv, a internet, as livrarias, as escolas: são inescapáveis. Seria de se esperar q a maior parte da literatura deste país fosse imune, q fosse um reduto pra onde escapar da xenorragia.
Seja como for, a xeno-referência não deixa de ser o modo como esses autores brasileiros se relacionam com... o Brasil. E se eu mesmo leio primordialmente literatura européia, uso interrogações de cabeça pra baixo e escrevo rotineiramente sobre o Brasil como um fim-de-mundo, ¿por que me espanta q outros expressem essa insatisfação cada um a sua maneira? Mmm, sei não. Pra mim, uma coisa é achar defeito em meu jardim; outra é virar pra minha mulher e elogiar o do vizinho esperando q ele me escute. Ainda outra é observar como o vizinho cuida do próprio jardim, fala do q só nele vê, e nem dá bola pro meu. Se há uma coisa a aprender com Gaiman, Proust, Heidegger, Wilde, Ibsen e a patota toda, é q esses vizinhos jamais falam do Brasil. E talvez teja aí o q se deve emular do 1° mundo: não fale do vizinho; faça como ele.
quarta-feira, julho 21, 2010
sonetos do sheik espir
que os imortais em pacto
no fórum tumefacto
aceitem como intacto
o bardo jure et facto
e venha um bibliotacto
brindar a tal abacto
um prêmio ex post facto.
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Leia o compacto.
Glossário:
estupefacto: perplexo
tumefacto: inchado
jure et facto: de direito e de fato
bibliotacto: profissional q classifica livros
abacto: aborto induzido
ex post facto: retroativamente
sábado, março 06, 2010
pra dizer q não se fala das flores
só se fala disso
orna sobre a norma
vaso quebradiço
quinta-feira, março 04, 2010
landmarks
terça-feira, março 02, 2010
baseado num grafitti q vi nos anos 70
é ter na mente
éter – na mente
e ternamente –
eternamente.
(tradução: credulidade não tem cura)
domingo, novembro 29, 2009
o progresso tecnológico e a evolução da culpa como motor da moralidade
grande, verde e nutritivo
se das folhas não gostasse
proibiria seu cultivo
tropecei numa armadilha
fria, dura e insensível
toda vez que alguém me humilha
solto o verbo e baixo o nível
tropecei num telefone
útil, novo e dando linha
varo a noite agora insone
remoendo o som que tinha
sábado, setembro 26, 2009
quinta-feira, julho 16, 2009
estágios
Na verdade, tá melhorando.
domingo, julho 12, 2009
livraria
pra depois ler no banheiro
só q qdo tão comprando
fazem pose de altaneiro
têm orgulho de ser cultos
falam té língua estrangeira
mas só sentam prà leitura
qdo vem a caganeira
sexta-feira, julho 10, 2009
sexta-feira, julho 03, 2009
sábado, fevereiro 21, 2009
the theory of art
(Agora quero ver alguém traduzir isso pro portuga.)
terça-feira, outubro 28, 2008
terça-feira, outubro 14, 2008
domingo, agosto 24, 2008
bronze Brasil
a brabeza brasileira já não brocha
mas o atleta desta terra ainda peca:
na penúltima braçada é que ele breca.
Sabre, saibro, jogo, briga e arco-e-flecha,
lá está o cabra descobrindo alguma brecha,
uma zebra que acochambre sua bravata
sob a sombra desbragada do ouro e prata.
Ouro é brega, lembra cobre em liga vil;
prata é sobra, lembra palha de bombril;
só o bronze traz ao bróder nobre fama
celebrada com o brinde duma brahma.
E o brejeiro povo brando e alquebrado,
quando vê brotar o brio redobrado
duma cãimbra brusca ou dor nos ombros breve
diz que o time de um, de cinco ou seis ou onze,
calibrando a fibra pra chegar ao bronze,
vale ouro, mesmo que outro peito o leve.
[poema inspirado pelo hilariante blogue Bronze Brasil.]
sexta-feira, agosto 15, 2008
minhas verdades
• o sexo dos anjos é neutrino
• quem nasceu primeiro foi a galinha
• quem te viu tem tevê
domingo, agosto 03, 2008
em teoria tudo dá certo
-¿qual é o preço?
-cem pratas
-¡¿CEM pratas?! o preço na loja da esquina é só setenta
-e ¿por que não comprou lá?
-tava em falta lá
-ah, quando AQUI tá em falta, o preço é cinqüenta
terça-feira, julho 15, 2008
pessoas q respeito - I
Por aquela época, eu andava com meu amigo Wanderlei Cunha, um carioca do Estácio, parecido com o Moe dos Três Patetas, trompetista talentosíssimo e ótima pessoa; se tem um defeito, é q sempre está com a cabeça três compassos adiante do momento.
Ou assim me parecia.
Uma tarde o encontrei por acaso na Oscar Freire, perto de onde ele morava. Me disse q aquela noite ia dar uma canja no Crowne Plaza. Perguntei com quem.
–Uma banda de jazz (ele pronuncia 'jaz', não 'djéz') duns compadres aí. Dois temas. Tão precisando dum gás.
O Wanderlei tinha umas teorias de performance q eu raramente entendia. Eu achava q eram coisa de trompetista. O trompete é um dos instrumentos mais difíceis e paradoxalmente mais delicados. Segundo o q eu entendia, quando um trompetista toca à frente duma banda, ela tem q soar como um carro perfeitamente regulado e limpo, com os pára-choques cromados e polidos zunindo num estrada impecável: qqer peça fora de lugar e o trompetista derrapa e dá de cara num muro. Se a banda desafina ou faz algo muito inesperado, o trompetista tem uma dor física nos lábios e dentes.
Era difícil tocar samba com ele. Samba de paulista nunca deleitava seus ouvidos cariocas. "Não tá explicado," ele reclamava. Samba tinha q soar "explicado", e ele explicava e explicava. Não dava bola fora, nunca; mas às vezes músico só quer tocar, né?
–¿Como assim, precisando dum gás?
–Os caras tão com uma banda afiada, mas tocam redondinho demais, sem cor. Tá faltando um tchan, manja? Eles solam e tal, e a platéia aplaude bonitinho no fim da música. Alguém precisa levantar o público, fazer neguinho erguer os braços no meio do solo, aplaudir e gritar êêêêê.
–Mas se o som deles é pra ser redondinho e sem cor, ué... (Eu achava q tem lugar pra todo mundo. Ainda acho. Um pouco.)
–Não tem essa. O público vai em show pra ouvir emoção; não vai pra admirar. Dá um rolê lá, cara, vc vai ver.
Fui.
Lembro q o nome do grupo era um trocadilho em inglês. Doesn't bode well. (Isso não é o nome da banda; é o q pensei eu quando vi o nome.) Uma banda competente, timbres bem encaixados, um show redondinho. O público aplaudia comedido.
Perto do fim, subiu ao palco o Wanderlei.
Tocaram um tema previamente ensaiado; aquela coisa cool, quase dava pra enxergar tudo como foto em branco & preto, ternos listradinhos e alguém segurando um cigarro com a fumaça pairando.
Entregaram pro Wanderlei solar.
Começou de mansinho, tateando o lugar e o momento. A banda segurava a onda. Ele estava agora ao volante dum carro com um pára-choque cromadinho num asfalto lisinho. As frases começaram a brotar, e foi só aí, depois de uma hora de show, q o público entendeu pra quê serve uma banda redondinha. O improviso acelerou, foi complicando e explicando. Cada nota vibrava; cada idéia começava, tinha seu momento de glória e se encaixava na seguinte. O clímax veio como uma explosão inevitável, com ritmos e riffs contagiantes e... explicados.
E foi aí q aconteceu. Enquanto o clímax ia chegando a um lugar totalmente ali, dedicado àquela platéia, àquele momento, àquela canja, e entregue a nós como um presente, o público inteiro não resistiu: ergueu os braços, aplaudiu, gritou longos êêês e ôôôs de arroubo e curtos ús de prazer, assobiou, urrou e deu risada.
A parte da risada era eu. Só eu sabia o q realmente estava acontecendo. Ele havia dito o q ia fazer e fez. Em menos de cinco minutos de palco, tinha feito uma platéia inteira entender uma coisa inexplicável e abrir um sorriso no rosto. Eu ria também porque ali eu soube q às vezes não era o Wanderlei q estava três compassos adiante do momento; às vezes era eu q estava dois compassos atrás.
Esperei o Wanderlei na saída.
–Cara, eu queria comprar um chapéu só pra tirar ele pra vc.
Ele riu. A música é só um momento. Ele já estava pensando no seguinte.
quarta-feira, julho 02, 2008
segunda-feira, junho 16, 2008
prédios de barro
Se de escada, pode ao mesmo tempo se exercitar e filosofar sobre a decadência do mundo. Se de elevador, sempre aparece a chance de conhecer pessoas q, sob ALGUM ponto de vista, devem ser mìnimamente interessantes. Digo "devem ser" por uma questão filosófica. Qdo era adolescente, no meio de todas aquelas distorções da percepção q atormentam os jovens, reconheci q pràticamente QUALQUER pessoa poderia vir a se tornar importante e talvez interessante pra mim, assim como qualquer assunto. E é nesse espírito de mente aberta q agora despejo estas palavras sobre o leitor.
Como disse, morar em prédio tem suas vantagens. Mas acho q vc tem q ser um pouco desumano pra PREFERIR morar em prédio. Uma casa com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, tudo ao rés do chão, é apenas um espaço circunscrito q alguém pode chamar de lar. Mas empilhe quinze ou vinte cópias dessa mesma planta formando um prédio, e um problema insolúvel começa a se amontoar.
Tudo q sobe tem q descer. A dona-de-casa, digo, a dona-de-apartamento vai às compras na feira ou no mercado, traz um carrinho cheio de carnes, repolhos, mamões, pimentas, &c, leva aquilo tudo de elevador até seu apartamento, passa a semana toda preparando e comendo aquilo tudo... e daí? ¿Como é q aquilo q subiu no elevador vai descer de novo?
Moro no nono andar dum edifico com quinze. Um apartamento simples, nenhum rebusque. Da sala aos quartos há um pequeno corredor, e nele à direita o banheiro. Suponho q os arquitetos –pessoas de bom senso– disponham o banheiro a meio caminho entre a sala e os quartos pra q ele sirva também às visitas. Pois as visitas também sobem e também têm q descer, e trazem pra cima coisas q precisam voltar pra baixo de um modo ou de outro.
Pois estava eu outro dia na sala com uma visita, qdo esta honrou a previsão do arquiteto e precisou, digamos assim, virar à direita no corredor. Não é de meu feitio imaginar o q se passa entre azulejos. Acho q todos nós cagamos. Giselle Bündchen caga. Jude Law caga. Todos os presidentes do Brasil até hoje cagaram. Minha mãe cagava. O papa caga. Você caga. A rainha da Inglaterra caga e peida. Nem sempre o cagar chega aos ouvidos alheios. Mas pelo menos dessa vez, com essa visita, chegou.
Até aí nada demais. A volta da visita à sala continuaria o prazer de sua presença exatamente como dantes. Mas como eu estava, por assim dizer, de ouvidos abertos e ali bem do outro lado da parede, ouvi um outro som surgir, um som mais suave, mais distante, um som q penetrou minha orelha, estremeceu meus tímpanos e instalou em meu ser uma revelação ainda mais profunda sobre o dia-a-dia do arquiteto.
Visualize o problema. Toda a instalação hidráulica de meu banheiro está na parede q este compartilha com a sala. Já a instalação sanitária sai pelo piso e, a caminho do esgoto, desce por um pilar até o chão. Pois bem. Meu prédio tem quatro apartamentos por andar, perfazendo sessenta apartamentos no prédio. Presumindo q todos esses apartamentos tenham instalações sanitárias similares, gente morando, visitas q cagam &c, ¿onde é q moramos os condôminos, se não numa estrutura contìnuamente percorrida por fezes, urina, vomições e catamênios? ¿Quê é um edifício residencial se não um grupo de pessoas rodeadas por tubulações onde regularmente descem cocô, xixi, vômitos e menstruações? entremeadas por fios de bosta, mijo, comida podre e sangue?
Me compadeço dos moradores do primeiro andar, essa gente infeliz ensanduichada entre as neuroses da rua e os dejetos q não cessam de escorrer a sua volta. Jamais têm um minuto de paz, atormentados por sons indefinidos vindos de dentro da parede, seu sono abalado por rumores excrescentes no meio da noite. Sempre vejo moradores do primeiro andar evacuando o edifício de manhã com o alívio estampado no rosto, ou à noite arrastando os pés de volta a seus lares pejados. Quando encontro a triste senhora do 14 no saguão do prédio, e vejo seu rosto destroçado por uma constante amargura privada, um ânimo submerso numa fossa permanente, faço questão de lhe abrir a porta, ajudá-la com as compras, distraí-la por um momento. Ela me lança um olhar marrom, um sorriso caído, com sua maquiagem descuidadamente borrada. Ela sabe q no mesmo edifício há moradores menos infelizes do q ela, e eu jamais a ofenderia convidando-a pra uma visita ao nono andar.
O caso do casalzinho do 11 é talvez pior. Instalados ali após uma lua de mel numa montanha distante dos dejetos humanos, há dois anos amargam a lenta bostificação de seu romance –o sexo selvagem nas manhãs de domingo pouco a pouco se diluindo na diarréia matinal dos quatorze andares acima de seu leito. Antes, arfavam sorrindo cansados; hoje, estão esgotados já ao começar, e ao fim apenas se entreolham enfezados. Eles mesmos já se aliviaram das inibições e peidam-se mùtuamente sem constrições. Já aprenderam q o romantismo não sobrevive ao condomínio.
E este é apenas UM edifício. A cidade come e caga num cliclo imparável, e as milhares de torres nela são como coleções de tubos digestivos de pessoas magras ou gordas, ricas ou pobres, ingerindo alimentos e excretando fezes, engolindo comida e produzindo cocô, recebendo delícias e expelindo merda. Na cidade q esparrama sua urbanorréia, cada prédio ridìculamente se esforça pra manter sua aparência de assepsia cartesiana, enquando tortura os esquizóides moradores diàriamente com os ruídos ocos e fétidos nos intestinos em seu esqueleto.
quarta-feira, maio 21, 2008
quinta-feira, maio 01, 2008
ginas feros grimas tonas
com rimas de sons infrutí-
depois de secar muitas lá-
cortei minhas proparoxí-
sábado, abril 26, 2008
clima pessoal
às mais distantes plagas de meu clima pessoal
se não preciso mais de quem meu sol não coadjuva
também não peço nada a quem não seca meu varal
por isso destas linhas verte um nonsense de borrasca
em vossos inocentes olhos plenos de pudor
a fruta que germino nem um bom facão descasca
e o tempo putrefato não consegue decompor
se nuvens carregadas de gotinhas de aguarrás
no chão chovessem céus de fúria besta e corrosiva
talvez restasse ao homem dissolver-se como um lodo
mas nada que o algoz em nossos ossos liqüefaz
iguala em acidez o rol de enzimas de saliva
que jorram destas sílabas rimadas num engodo
segunda-feira, abril 21, 2008
sexta-feira, abril 11, 2008
advice to man
The man who thinks a lady must belong
by right to him who sees her face most oft
will soon believe that Batman's tagalong
should stick to him until their minds go soft.
Now I think Robin has no business staying
well after Batman to Catgirl does marry
because 'tis obvious Robin should be playing
in quite a diff'rent band, not there to tarry.
Now if thy aim when cultivating her
was more for future gain than present cheer,
thou shouldst have known that girls do never err
by choosing men who can't live now and here.
'Tis best thou barkst up someone else's tree
for ten to one the lady wants not thee.
segunda-feira, abril 07, 2008
terça-feira, março 11, 2008
advice to Josephine,
Your father knows what's best for you
You'd better not break this taboo.
He takes his ship across the sea,
See how he's stronger than is she.
The waves will try to hold her butt
But he will prove that she's no slut,
And sail her safely till she moors:
Morale does more than all amours.
domingo, março 02, 2008
terça-feira, fevereiro 26, 2008
contemporizemos
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
further advice to George III,
Your love takes root, you wed your wife,
your seed is sown to breed new life.
But now your fruit is ripe to rot,
and you bemoan what you begot.
Bemoan my foot! You should delight
his true worth's known while you can fight!
Though he's a brute, your son won't win:
he's just a baddy, steeped in gin.
He's not astute to cast some doubt
on what his daddy's sure about
(though that's a moot point, I decree:
that you are mad is clear to me.)
To grab his loot he must make plain,
when lawyers quiz him, that your brain
is fast en route to lunch in Surrey.
But that's mere fizz, you need not worry.
And I dispute your cause to fear
that claim of his. 'Tis hardly clear
what harm his suit could do to Brits,
whose pastime is to lose their wits.
domingo, fevereiro 10, 2008
advice to George III,
You rue as fact that he's a rake,
a foe to tact you would forsake.
But would you bet against your son,
whose fault as yet is having fun?
Let children go the way they choose:
they will do so by right or ruse;
just trust your genes, you need not gripe:
the kid who weans will soon be ripe.
And if you doubt your son's true worth
then there's no clout in your own birth.
quinta-feira, janeiro 31, 2008
advice to Fanny Price,
When cousins set their hearts ablaze
and speed their blood in fiery ways,
they may forget that genes were meant
to mix with those of foreign bent,
for nature thwarted causes pains
to children born with crookéd veins.
You burn for him but still forget
you'll carbonize those you beget.
domingo, janeiro 20, 2008
advice do Abe Lincoln's mom,
A fact well-known to moms with boys
is that the brats have subtle ploys
to get their own ideas round
their folks' diktats to keep them sound.
I bet your kid pretends to study,
and borrow books, and gets all muddy,
but goes amid the slave-girls lewdly
to learn their nooks and grow up shrewdly.
Don't raise your knobbly hand at him
because the chances are not slim
a young man's hobby may become
a nation's stance against the scum.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
advice to Henry Crawford,
It's often said of women's choice
of men to share their life,
“The dowry must include a Royce
or wedlock ends in strife.”
But that belief's not wholly true:
some ladies love indeed.
Among these there are quite a few
whose noses never bleed.
And though I know not where Miss Price
belongs among that list,
I know you leave her cold as ice
–and that, sir, is the gist.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
advice to Marie Antoinette,
A dame like you has nought to worry
from scabby peasants at your gate:
their hands are numb, their eyes are blurry,
their hearts and minds are seventh-rate.
That they are hungry serves them well
for scrapping kale and craving bread.
So let them pound at your doorbell
there's nought to make you lose your head.
sábado, janeiro 12, 2008
advice to Valmont,
Perhaps it's worse to go on living
with conscience stabbing at your heart
with knives long, sharp and unforgiving
than with a single blow depart.
But since your death is now so near
– and one which you procured so keenly –
it's not, sir, in good taste to fear
an end that meets your type routinely.
One further evil stains your case:
you were a more adroit seducer
than most of us men on the chase.
So cheers to him who finished you, sir.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
further advice to Huckleberry Finn,
who wasn't satisfied by previous advice and asks to be taught one or two important manners, just to keep the widow happy.
There's no set of manners to master
that might cure a social disaster.
There's only one rule,
you won't learn at school:
"Do everything slower, not faster."
If by this good rule you are bound,
I wager you'll soon be renowned
the sweetest of boys
who never annoys
the ladies, the snobs, or the crowned.
terça-feira, janeiro 08, 2008
advice to Scarlett O'Hara,
You are the sort of girl, I guess,
who teases men with 'no' and 'yes',
then 'no', then 'maybe yes and no',
till cows dry up and home they go.
Amid two loves you sit, I bet,
expecting pleasing vows from Rhett.
I toast to him who had the sense
to send you crashing off your fence.
A civil war may rage, I swear,
and billions die and fields go bare
before your ex will hear your claim,
the same old dame who shamed his name.
domingo, janeiro 06, 2008
advice to Huckleberry Finn,
The widow is under th'impression
that manners should be a reflection
of feelings we carry inside.
More often than not they are merely
a front to avoid showing clearly
the thoughts we had much better hide.
She must be in permanent terror
that making a slight little error
might nakedly show her dark side.
But why should you care if at table
the priggish old diner might label
your messiness undignified?
Your wild ways I urge you continue.
They prove there is much goodness in you,
and more: you're no Jekyll and Hyde.
sábado, janeiro 05, 2008
advice to Baroness Elsa Schraeder,
My dear baroness!
You out of your senses?
Don't ever say yes:
just think of th'expenses!
Get out of that mess
before it commences.
I grant you the truth
that love should be blind;
but think of the youth
you must leave behind
with seven uncouth
li'l devils combined!
And cause for divorce
will start in a whiz:
I've heard from a source
– a housemaid of his –
the Captain's workforce
is where his heart is.
Indeed, he's most canny:
that nice Captain chap
would marry my granny
in less than a snap
to get him a nanny.
So, out! It's a Trapp.
quarta-feira, janeiro 02, 2008
paulinho da memória
não haverá mais ilusããã-ão
quero lembrar, ela não deixa
alguém q ainda me deve um dinheirão
minha memória...
quarta-feira, dezembro 26, 2007
humpty dumpty
is to rule in whose stead:
the ones who do say
or the ones that are said?
terça-feira, dezembro 18, 2007
brazófia
sai dessa platéia
força bem a cuca
tem alguma idéia
pode ser maluca
sábia ou seborréia
troca de cumbuca
faz uma geléia
fica de butuca
peita tua estréia
sai dessa arapuca
tenta uma odisséia
sexta-feira, dezembro 14, 2007
domingo, dezembro 09, 2007
domingo, novembro 25, 2007
sábado, novembro 24, 2007
entrefala
> Êi, você aí, que já gosta de falar e ganha a vida falando, fale um pouco aqui pra nós como é que é essa coisa de falar, falar, falar.
• Em primeiro lugar, gostaria de agradecer por esta oportunidade de falar e, o que é ainda melhor, de falar sobre o falar. Falar é uma coisa que eu realmente gosto de fazer – se bem que eu ache mais correto falar que falar é uma coisa de que, ou da qual eu realmente gosto de falar. Mas voltando ao assunto que deixei enquanto falava esse parêntese: realmente, eu gosto de falar. Muita gente não gosta e, o que é ainda pior, não dá a devida importância ao falar nem às pessoas que realmente têm alguma coisa pra falar nem àquilo que é efetivamente falado, porque eu… Eu atribuo isso às políticas que os sucessivos governos têm implantado no Brasil na área da educação, que está num nível realmente lamentável. E talvez justamente por isso, ultimamente tem havido um declínio crescente na arte de falar, de modo que já não se fala hoje em geral com a polidez com que se falava antigamente, quando havia falantes muito bem educados, verdadeiros expoentes dessa arte ancestral, dos quais eu realmente me orgulho de ser não mais que um humilde seguidor.
> Se o falar já teve melhores dias, ¿o que você acha dessa coisa de falar, falar, falar?
• Eu acho extremamente sadio, especialmente prà vida cultural deste país. A cultura se transmite principalmente através da fala, e falar, bem, falar é uma coisa prà qual é preciso ter uma sensibilidade muito especial, mas que ao mesmo tempo todo o mundo entende. É universal, falemos assim, porque todo o mundo, de algum jeito, fala. Então não faz muito sentido que certos falantes se considerem excepcionais e saiam por aí falando que isto e que aquilo e que aquilo outro, porque eu… O problema central é a educação neste país. O bom falante é aquele que fala pra ser ouvido, e o mercado da fala tem decaído cada vez mais no Brasil, justamente porque aparecem (como em toda geração aparece) aparecem falantes que não dominam a fala, ou que inserem estilos de fala sem substância e vão distanciando o povo.
> ¿O que é que leva você, em sua opinião, a essa coisa de falar, falar, falar?
• Veja bem, falar é uma profissão extremamente técnica e pensada, como também pode ser uma atividade totalmente espontânea. Depende do que é que você quer falar, num contexto, claro, historicamente determinado. O falante tem que saber jogar com esses elementos e essas influências. Eu, por exemplo, falo bastante, então é essencial que eu possa me dar ao luxo de usar várias técnicas diferentes, de experimentar falar num estilo único, e até me reservo o direito de calar a boca quando acho que essa vai ser a melhor maneira de falar o que eu quero, que constitui até, falemos assim, uma desconstrução do falar, que é minha opção, por assim falar.
> E você, quando fala, ¿como sente que é essa coisa de falar, falar, falar?
• Falar é muito bom, de forma geral. É agradável falar e ouvir. Mas acho que, quando falo, eu incomodo muita gente. Não é essa minha intenção, claro, mas acontece, quando a gente tem muita coisa pra falar. Até daria pra evitar. Mas é que o falar tem também uma dimensão espiritual muito fundamental, que é preciso levar em conta, então é preciso tomar muito cuidado com o que se fala, pra não ofender. Mas há ouvintes e ouvintes, não é verdade? É por isso que a função social do falar, que é muito importante, precisa de investimento em educação, de estímulo, de laissez faire. Porque sem isso não dá, né?
> E ¿o que você tem a dizer sobre essa coisa de falar, falar, falar?
• Dizer?
> Perdão. Falar.
• Ah. Sim. Hm. Bom. É muito importante, claro. Note, por exemplo, que a imprensa, o rádio, a tevê, e agora a internet trouxeram uma infinidade de maneiras diferentes de falar. E as pessoas estão aí, procurando novos modos de falar, novos modelos de falância. Claro que na internet tem muita gente que fala, fala, fala e nada que preste, porque eu… Mas sempre foi assim, não é verdade? O falar sempre foi o que é, na verdade. Sempre a quantidade é maior do que a qualidade, embora muitas vezes a qualidade seja maior. Sempre tem gente que se destaca, até por omissão, né? Por exemplo, no passado, a Caitlyn Guaruda, o Romeu Boqueirão, a Rita Garella, o Almeida Laringe. Meu trabalho segue nessa linha. Apesar de, claro, eu também preferir a subversão da tradição. O novo sempre surpreende, não é verdade? E é assim que eu vou falando.
> Bem, obrigado pela conversa. Falou e disse!
• Quê?! ¿Está querendo me ofender, rapaz? Não sou da Escola do Dizer, não! Aquela gentalha.
domingo, novembro 18, 2007
Chapèuzinho Verde-Amarelo
eu vou bem sòzinha.
Tou levando uns doces
para a vovòzinha.
Doces estragados
e pão decomposto
pois a vovòzinha
já não sente gosto.
Sou Chapèuzinho
fofa e singela.
Sempre fui xodó
da velha magricela.
Atravesso o rio
pisando no leito
e as piranhas comem
o meu pé direito.
Sigo meu caminho
a encontrar a vovó.
Ando saltitando
em cima de um pé só.
Sou Chapèuzinho
Verde-Amarelo.
Não preciso mais
do par desse chinelo.
Quando chego ao topo
do morro pelado,
vejo a choça dela
lá no outro lado.
E ao descer o morro,
uma bala perdida
leva minha mão
embora desta vida.
Sou Chapèuzinho
fofa e singela.
Já tou vendo a mão
virando mortadela.
Carregando o cesto
na mão que me resta,
um carrão me pega
e me arrebenta a testa.
Zonza, ensangüentada,
sem mão e sem pé,
chego lá esperando
ao menos cafuné.
Sou Chapèuzinho
fofa e singela.
Pelo menos hoje
não fiquei banguela.
Mas a vovòzinha,
cansada da espera,
xinga, bate, berra,
espanca e vocifera.
Êta velha chata!
Cadê o lobo mau?
Fica aí, sua inútil,
morre logo e tchau.
Sou Chapèuzinho
Verde-Amarelo.
Sorte da velhota
eu não ter um martelo.
sábado, setembro 15, 2007
ai ai que preguisse
ai ai que preguisse
dá tant travailheau
fazê perspective
enchê le tableau
1905
nan sei desenher
¿comme veau ser fameause?
veau tê qu'inventer
algun petit chose
1910
pois todo pinteur
que faz algun arte
tamban é inventeur
d'algun disparrate
1915
¿e se je pinter
de cabes pra bache?
oh nan, van me acher
alun de Picasse
1920
e essa é a doeur
que bate mais fonde
parque imitadoeur
já fui de tout monde
1925
talvez haja un jeito
¿a tela en lozang?
oh nan, já foi feito
maudite Mondriaang
1930
entan veau assumir
ma grande preguisse
dizando en Parri
"mon nom est Matisse!"
***
Tudo bem gostar de um ou de outro quadro, achar bonito, interessante, até valioso, ¿por que não? Mas colocar Matisse entre os grandes gênios da pintura é um furo na tela. Matisse só é o favorito de pessoas q olham mas não enxergam, ou olham a fachada dum prédio mas não enxergam a estrutura prestes a desmoronar, ou olham pra apenas um type e enxergam apenas o hype q o divulgou. Matisse brincou de Renoir, de van Gogh, de Seurat, de Cèzanne, de Modigliani, de Braque, de Gauguin, e outros, mas só chegou a si mesmo quando assumiu sua preguiça, sua inabilidade no desenho e sua incompreensão da perspectiva. A notoriedade q adquiriu em começo de carreira foi graças a uma idéia pra parecer diferente, na época em q a frivolidade estava começando a considerar a individualidade como uma forma de talento. A "idéia" foi pintar as coisas com as cores erradas pelo impacto gratuito, e falar inanidades sobre os efeitos psicológicos das cores. Chegou-se até a dizer q Matisse não usava as cores erradas: o mundo real é q foi mal colorido.
Pardon, mas é difícil levar Matisse a sério. Taí, falei.
terça-feira, agosto 21, 2007
presente do indicativo
Os pés descalços. O telefone creme. O caderninho.
-Não, não. Depois a gen...
O teto. A porta.
-Olha, se você não quiser, eu pos...
Insuportável. Não consegue completar sequer uma frase. O Júnior sempre acha que sabe o que a gente vai dizer.
-Mas não, não precisa fazer isso, cara. O homem lá do s...
Os pés descalços. O terceiro dedo de lá pra cá. Coisa inútil, dedo do pé. Artelho.
-Bom, então tá. No fim vai dar na mes...
Chacoalha os artelhos. Abre. ¿Não abre mais do que isso? Inútil.
-Peraí. Deixa eu falar um p...
A porta. O teto.
Páginas e páginas disso.
Cenas e cenas e cenas assim.
Horas e horas e horas e horas.
terça-feira, julho 10, 2007
prego
Mas tenho preguiça de mudar.
Acho q vou descansar um pouco e depois eu volto.
sexta-feira, abril 27, 2007
soneto da norma
te tomo agora em minha mão inculta
e com aprovação oficial
desfiro meu sarrafo em quem te insulta.
Outrora te ataquei covardemente,
inguinorantemente te ofendi;
mas hoje sou amante reverente,
defendo-te cá, lá, aqui e ali.
Ó linda flor que tudo me ensinaste
−embora tanto quiproquó provoques−
jamais again te tratarei de traste;
e neste novo mundo em que ora ingresso
faminto por saber de teus estoques,
exclamo a senha: Ordem e Progresso!
quarta-feira, abril 25, 2007
limeriques
where people perfected the skill
of tergiversation
with such concentration
that net comprehension was nil.
They showed such a wonderful knack
for ranting and answering back
that no one remarked
when they simply barked
or just hopped about going "Quack!"
quinta-feira, março 29, 2007
segunda-feira, março 26, 2007
...!
então concluí q a inteligência é uma espécie de preguiça. Porque dizer "a preguiça é uma espécie de inteligência" dá mais trabalho.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
delícias do telemarketing
-Sou eu.
-Meu nome é Nópsia Spulga. Sou consultora do banco Santander Banespa. ¿Tudo bem com o sr?
-Tá.
-Q bom, seu Parso. Por motivo de seguran sa ligação é gravada. Estou entrando em contato pra informá-lo, né, q devido a esse bom relacionamento q o sr já vem mantendo com o comércio em geral, já está a sua disposição, sr Parso, o novo cartão Santander Light. ¿O sr conhece?
-Não.
-¿Já assistiu nosso comercial com a Cláudia Raia alguma vez? Na televisão?
-Não.
-Sem problema, sr Parso. Ele tem um grande diferencial entre os outros cartões, puquiele é o único no Brasil q cortou os juros pela metade, ou seja, cinco ponto cinco. ¿O sr já vem acompanhando a média do mercado de tarifação de juro?
-Não.
-¿Já trabalha com cartão de crédito, sr Parso?
-Não.
-¿Nunca trabalhou?
-Não.
-[pausinha exasperada] Sr Parso, ¿o sr sempre teve essa opinião [engasgadinha] própria com... quanto ao cartão de crédito?
-Sim.
-¿Por qual motivo?
-[pausa, respira fundo, soluça, voz embargada] Bom, é q, quando eu era criança... eu... eu tava andando numa rua e... aí... tinha um caminhão... [soluço] um caminhão...
-Alô?
-Um caminhão quase me atropelou, e ele tava cheio de cartão de crédito... aí eu peguei... eu peguei... [drama] peguei trauma com cartão de crédito... [choro contido]
-[dúvida] ¿Com quem eu falo?
-[triste] Parso.
-Sr Parso?
-Parso. [chora] Sou eu.
-Então, sr Pra-Parso, no caso, né, ¿é Parso To-orpa Moscaranha?
-[chorando] Sou eu.
-Eu agradeço muito pela atenção e numa próxima oportunidade o Santander Banespa entra em contato com o sr.
-[aos prantos] Não, por favor não liga mais não. Não liga, por favor. [chora, soluça, desliga]
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
the francis fancies
that most of what gets printed there should come from abler hands.
They mean, of course, that only they know how to hold a pen
and boldly pass pronouncements on the great affairs of men.
A sharp divide has torn the world along a mighty cleft.
Now they are right and others wrong, or right and others left;
and nothing gets more blogtime than a brawl between the two
’sif life itself were prodded forth each time they say “pooh-pooh”.
They’ll fight about a tiny tick above the letter U;
they’ll swear by grammars bent on wat’ring down the social stew;
the way some words are said or spelt can blight a reputation
and bring on shame and doubt upon the prospects of their nation.
But lo, they shun what’s native ’cause they loathe that they are Latin.
They wish they had a cosy job reporting from Manhattan,
where they could fin’lly live the life deservéd by their fancies
retreading hallowed steps that once were trod by Paulo Francis.
Yes, they’re a tad naïve to have and worship human heroes
while in their eyes the rest of us would hardly pass for zeros
who blunder on like monkeys deep in filth and foul decay.
So there’s the shell and here’s the nut of what I have to say:
’Tis sad, says I, that mankind’s wondrous range be flattened thus
when that which truly makes us level no one might discuss:
(the practised knowledge I, for one, would wish all bigots had)
that every man’s a bastard from a diff’rent mom and dad.
[o contexto desse poema está aqui]
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
milhões de anos no futuro agora
quando o último humano do universo
morrer de morte feia e só,
não há de ser chorado, sequer lembrado.
Quando as vastas turbulências de matéria
finalmente deglutirem o planeta que pisamos
reduzindo o que já foi de nossa reles raça
a um pó seco e frio,
não há de haver em todo o universo
uma única mente que veja e diga
"sei o que passaram esses seres extintos,
reconheço suas obras, reconheço suas dores."
E tudo quanto agora nos desperta ou apavora,
as risadas e atritos, as promessas e crendices,
terão sido não mais que um curto e vão
lampejo de egoísmo, presunção e pânico
na cabeça tonta dum bicho sujo
e triste que morre ali e já vai tarde.
quinta-feira, janeiro 25, 2007
que
quarta-feira, janeiro 24, 2007
umbigada
A sinceridade é a maior qualidade de meu umbigo... mas também é seu maior defeito.
Meu umbigo está sempre aberto a críticas construtivas.
Quando meu umbigo está errado, ele é o primeiro a admitir.
A honestidade de meu umbigo incomoda muita gente.
O maior problema de meu umbigo é q ele se entrega demais.
Meu umbigo não merecia ter nascido no Brasil.
Meu umbigo sofre muito com a vaidade dos outros.
sábado, janeiro 13, 2007
a verdade, preto no branco
- ¿Por que somente durante esses ~80 anos?
- ¿A quem interessa disfarçar esse fato inegável?
- ¿A quem interessa encobri-lo?
- ¿Pode o fenômeno ocorrer novamente? ¿É algo cíclico?
- ¿O q você estaria fazendo se não estivesse lendo esta baboseira?
domingo, dezembro 24, 2006
desejos e devaneios
1. fazer novos amigos
2. reencontrar os antigos
3. ver aqueles filmes q você sempre quis
4. nadar sem roupa
5. experimentar um prato novo
6. trocar os móveis de lugar
7. acabar os livros q começou
8. viajar de balão
9. ter o café da manhã servido na cama
10. fazer algo pra tornar o mundo melhor
1. desfazer velhos inimigos
2. nunca encontrar os possíveis novos
3. não ver filmes q você se arrependerá de ter visto
4. andar sem roupa
5. repetir um prato delicioso como se fosse da primeira vez
6. trocar a casa de lugar
7. acabar de escrever os livros q começou
8. viajar de dirigível
9. ter o café da manhã servido na cama num hotel cinco entrelas, várias vezes
10. desfazer algo pra tornar o mundo melhor
quarta-feira, dezembro 13, 2006
se não sou eu pra dizê-lo...
quinta-feira, novembro 30, 2006
o português tal como seria, se inglês
entrar = passar a uma posição 'entre' [between] (quatro paredes, &c)
gramado = terreno onde predomina a grama [grass]
enfrentar = ir em frente, pôr-se em frente [in front]
desprezo = negação de valor, de preço [price]
arquibancada = conjunto de assentos [bench]
The breedance betweened inthe grassed and infronted the dispricing ofthe archibenched.
domingo, outubro 15, 2006
os caga-nuncas
"Com-o-pé-atrás" é uma redundância. Todo idealista romântico sonhador prolixo rebuscante nostálgico mariquinha devaneante tem o pé atrás.
Chamêmo-los de caga-nuncas.
Não me dou bem com caga-nuncas porque são no fundo pessoas más, hostis e empafes disfarçadinhas de gente limpinha; pessoas q entendem todo comentário realista breve irreverente brincalhão como um ataque, uma alfinetada, um ardil. Gente q vê colher e enxerga faca, q toca em madeira e sente pau, q ouve franqueza e entende vaidade. São pessoas rancorosas por não encontrar o mundo como em seus sonhos floridos, em seus poemas de rendinhas, em suas fotos branco-e-preto de ruas molhadas.
Basta rir dum caga-nunca por um quezinho de braguilha aberta, de sutiã torto, de incoerência, e ele de almofadinha vira porco-espinho. Sente-se atacado. Sempre na defensiva, é o frágil tadinho q não suporta idéias díspares. O pé-atrás é menos um amortecedor da defesa q uma alavanca do ataque.
E sim, é dela mesmo também q estou falando.
quarta-feira, outubro 11, 2006
coisas que nhééééé
gente q escreve traduzês
gente q despreza quem não escreve traduzês
gente q acha inteligente o q escreve porque está em traduzês
gente q emporcalha o mundo com coisas asseadinhas
gente-isopor: muito volume, pouco peso e afetação de assepsia
gente-azulejo: só brilha quando está limpinho; na verdade nem brilha, só reflete
é, é dela mesmo q estou falando
domingo, outubro 08, 2006
ms austen's other interests
quarta-feira, outubro 04, 2006
papel idiota
idiota
sou o menino idiota
meu papel é passar papelão
e passar papelão idiota
idiota também é imbecio
idiota
papel idiota
domingo, outubro 01, 2006
toothpick etiquette
'tis considered very chic
to nib at plates of pickles
with your very own toothpick.
but should you stay for supper,
'tis considered very rude
to take your picker-upper
and gorge yourself with food.
quarta-feira, setembro 27, 2006
segunda-feira, setembro 04, 2006
aporréia (2)
espreita no ar como um pó
que o peito automático enxota
a cada empurrão do gogó
feliz é a pessoa que arrota
explicitamente bocó
e um peido aromático brota
de seu jovial fiofó
sábado, setembro 02, 2006
o beijo
Beijo refrescante.
¿Será q esqueci alguma coisa?
quinta-feira, agosto 31, 2006
filocedário
terça-feira, agosto 15, 2006
sábado, abril 15, 2006
indecente
−...
−Indecente.
−¿Quê?
−Indecente.
−¿Quê é indecente?
−Indecente.
−¿O q eu disse? ¿O q eu falei?
−Indecente.
−¿Quer parar de repetir isso? ¿Quê é indecente?
−Indecente.
−¿Vc quer dizer q o q fiz foi indecente? ¿Por quê é q não diz logo?
−Indecente.
−E vc teria feito diferente? Foi a única coisa q eu poderia ter feito. E a única coisa q fazia algum sentido naquela situação. ¿Ou vc acha q teria dado pra fazer outra coisa?
−Indecente.
−¿Quer parar? Essa é uma acusação totalmente descabida e vc não tem o menor motivo pra me reprovar desse jeito, já q livrei tua cara também.
−Indecente.
−Pq si não a gente tava lá até agora. E ¿tá pensando q foi fácil? Não foi fácil, não. Tanto, q vc nem tchungas. Eu é q tive q ter a cara de chegar lá e dizer tudo aquilo.
−Indecente.
−¿Ah, quer saber duma coisa? Tou fora. Ou vc me dá algum crédito, ou vai ficar aqui mofando...
−Indecente.
−...pq não vai ter ninguém mais pra te tirar daqui depois q eu for embora.
−Indecente.
−Porra! ¿Quer parar com isso?
−Indecente.
−Olha, cabou, tá? Fica aí vc, q vou cuidar de minha vida. Tou fora.
−Indecente.
−...
−Indecente.
−..
−Indecente.
−.
−Indecente.
−
−Indecente.
sexta-feira, março 31, 2006
in memoriam
Pois bem, ontem de manhã eu estava ali e exatamente naquela hora e naquele lugar me esqueci do q estava fazendo.
É verdade!
Incrível, né?
quinta-feira, março 23, 2006
indigno
Por segurança, me amparo no encosto do banco porque senão minha náusea logo me levaria ao chão onde mereço jazer. Às vezes algumas das pessoas q passam com toda aquela dignidade me sapecam um sopapo visual pra ver se aprendo uma lição, mas isso nunca resolve. Entre um digno e outro, fico dissimulando q estou me entretendo com o conteúdo duma de minhas orelhas.
Após uma ou duas dúzias de cidadãos passando com toda aquela dignidade, vou me acinzentando e, quando há uma pausa no fluxo quase contínuo de dignidades, me levanto. Ao voltar à alcova em q vivo, nem tento imitar o estilo épico de caminhar com toda aquela dignidade, já q nunca há na praça, nem poderia haver, outro nulo como eu reparando nas pessoas e nauseando-se e humilhando-se e acinzentando-se ao me ver passar com toda minha irrelevância.
domingo, fevereiro 26, 2006
rúcula
Eu digo coisas ridículas.
Eu falo coisas ridículas.
Eu faço coisas ridículas.
Eu caço coisas ridículas.
Eu cago coisas ridículas.
Eu pago coisas ridículas.
Eu paro coisas ridículas.
Dadada.
domingo, fevereiro 19, 2006
também acho
segunda-feira, dezembro 19, 2005
o sono, a custo
Numa dessas tardes longas e chuvosas em q o corredor dos quartos à sala é sistemàticamente entulhado pelo filho ensimesmado e medíocre daquela senhora q às vezes entra em meu jardim oferecendo com gritos estridentes os doces q diz comprar na Argentina quando vai relaxar de sua vida profissional exageradamente sonsa e bisbilhoteira, deitei.
Numa dessas noites frias e tempestuosas em q o portão do jardim à rua é frenèticamente chacoalhado pela namorada excêntrica e desajustada daquele cara q às vezes sai de meu banheiro devolvendo com trejeitos esquisitos as revistas q diz comprar na Somália quando vai refletir sobre sua vida artística exageradamente desregrada e matreira, dormi.
Às vezes, penso em acordar.